quarta-feira, 31 de dezembro de 2003

Balanço do ano - 2003

Chegamos ao fim de 2003 com 5 meses de posts, mais de 7500 visitas, uns 15 blogs que nos linkaram (obrigado a todos) e um certo gozo e orgulho pela obra feita.

Para 2004 desejamos neste blog:

- Actualizar a secção de links, que está morta desde o 1º dia;
- Aguentar o ritmo dos posts diários;
- Aumentar o nonsense, gozando com tudo e todos;
- Editar um livro (talvez uma compilação das Ginas do Spade...)
- Arranjar amantes (candidatas, deixem o vosso contacto nos comments...)
- Enriquecer (aceitam-se donativos - indiquem o v/ nº de cartão de crédito nos comments)
- Emagrecer 5 kgs (ver "arranjar amantes")

E deve chegar...

Selecção italiana em Bragança

Ainda na sequência da ida a Bragança, destaco uma informação curiosa - a selecção italiana estará sediada em Bragança durante o Euro 2004.

Sendo que:

- O estádio do Euro mais próximo de Bragança está a 220 kms;
- O aeródromo tem voos diários para apenas 15 passageiros de cada vez;
- A IP4, que liga Bragança ao Mundo é uma violência de curvas apertadas e mortes frequentes;
- o calor absurdo de 35ºC para cima durante o verão...

...resta-me concluir que as motivações dos italianos são outras.

Atiro para a mesa as mais prováveis:

- As brasileiras em Bragança;
- As ucranianas em Bragança;
- As moldavas em Bragança;
- As checas em Bragança;
- As espanholas ali perto em Zamora;

Como complemento a estes "pratos de cozinha internacional", acredito que os verdadeiros motivos dos italianos tenham sido as alheiras de Mirandela e os presuntos de Chaves, esses pratos tão típicos de... Bragança!?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2003

Natal em Bragança – aspectos lúdicos

Por motivos familiares, o Natal é em Bragança nos anos ímpares. À margem das festividades, aproveitei a presença na cidade para abrir os olhos e ver se havia brasileiras, daquelas que tanto excitaram os repórteres da revista TIME.

Pois bem, anuncio que vi apenas uma, num supermercado, às 3 da tarde, acompanhada de uma colega de profissão, que pela aparência deveria ser de algum país de Leste.

A que vi não era bonita. Nada mesmo. Mas a pouquíssima roupa que trazia, associada ao decote tremendo (deixem-me repetir: tremendo), e conjugando isto com os 2 graus centígrados que fazia na rua, faz-me pensar que seria rapariga muito acalorada.

Acrescento ainda que na noite da consoada, já pelas 2 da madrugada, passei por acaso em frente a uma casa de meninas brasileiras. Estava aberta! Um verdadeiro serviço público aos cavalheiros solitários, que de outra forma estariam sozinhos a carpir mágoas em casa. Além de ajudar meninas estrangeiras, longe da pátria, a passarem um Natal em boa companhia. Mas o que é que a TIME tinha contra isto afinal? Queriam eles ter brasileiras…

sábado, 27 de dezembro de 2003

revivendo o passado com a Gina

A quadra natalícia inspira os momentos de nostalgia dos tempos de infância e de procura de beleza que nos anime a alma.

Imbuído desse espírito, comecei a tentar recordar-me de elementos da minha infância que fossem verdadeiros hinos à beleza e à capacidade do espírito humano de transmitir a felicidade e tudo o que há de bom na vida. Pensei em muitos objectos que fizeram parte do meu quotidiano infanto-juvenil que poderiam servir de símbolos para este espírito - o yo-yo, o spectrum 48K, o "Flores para Crianças", o "Órgão Mágico" do mestre Eurico A. Cebolo... -, mas cheguei à conclusão que no período da adolescência o objecto que mais fortemente simboliza a mais pura criação artística do ser humano enquanto tal é sem dúvida... a revista Gina.

Para quem não a conhece (e sim, há pelo menos um leitor que nos segue de Évora que já me confessou publicamente não ter ideia do que seja a Gina, o que não augura muito de bom para a sua vida futura, a ver vamos...), a revista Gina (de seu nome completo "Gina - Histórias Sexy Internacionais") era uma revista porno que se vendia em praticamente tudo o que era quiosque de jornais. Trazia normalmente duas histórias (por vezes uma mais comprida), profusamente ilustradas e acompanhadas de textos literários do mais alto calibre. Infelizmente, já não é publicada, mas com alguma insistência é ainda possível encontrar exemplares à venda.

Recentemente, tive a felicidade de encontrar uma loja na antiga Feira Popular de Lisboa que apresentava um interessantíssimo conjunto de números antigos da Gina, dos quais escolhi 10 para levar para casa como recordação - o meu sonho é poder um dia mostrar aos meus filhos como é que o seu pai, na adolescência, descobriu a beleza poética da intimidade entre homem e mulher, bem como uma profusão de novas palavras (nunca me esquecerei do que significa "crassatela"). Foi desse conjunto de 10 revistas que resolvi fazer uma pequena selecção de textos para poder divulgar a arte dos escritores anónimos que incansavelmente, número após número, criavam com a maior sensibilidade poética os textos que acompanhavam as bonitas fotografias de cariz porno que enchiam as páginas dessa verdadeira instituição da adolescência de tantos rapazes de Portugal - a Gina.




(aviso: os textos são transcritos tal como aparecem na revista, com erros e tudo, para manter intacta a poesia que exala destas palavras)


* * *

Gina 104 - Tete-a-Tete
As mulheres são como os discos...- suspira Guy. - Tudo depende do lado que se toca... E que agulha se utiliza... Para dela retirar belas melodias...
E para que ela dê melhores melodias, ele aumenta mais as estocadas na sua gruta, o que a fez estremecer de gozo.

(...)
- Entretanto, vamos mudar o lado do disco, de forma que a agulha fique por baixo... Para ter-mos nova melodia... - E, dizendo isto, ela salta para cima dele, tomando a rédea...
- Tu nem me deste tempo para tirar o vestido...
- Ooohhh... Ooohhh... Parece que sinto o som de flautas...
- Tu esqueces-te que a minha flauta também sabe todas as melodias... - suspira Guy.



* * *

Gina 103 - "Corrida Sexy"
Costuma dizer-se que os extremos se tocam, o que desta vez é especialmente aplicável ao caso de Natasha e Gunther. Ela é uma morena e fogoza beldade com sangue cigano... Ele é um frio loiro, mas que sabe acender uma verdadeira paixão sempre que se encontram juntos. Como naquela manhã em que resolveram dar um passeio de bicicleta... Mas o passeio acabou por ficar adiado e em vez de montarem nas bicicletas, resolveram montar um no outro.
(...)
- Oohhh... Isto é muito melhor do que montar uma bicicleta, ainda que não tenha guiador...



* * *

Gina 84
Charly, tem uma nova empregada!
É uma jovem côr de ébano, com um corpo escultural e um par de mamas, capaz de pôr em pé o membro de um morto.
Seus olhos transmitem desejo e luxúria e sua boca, de lábios grossos é um convite obsceno a uma chupadela que se prevê, ser de endoidecer o macho mais exigente.
Ela roça as suas grandes mamas pelo patrão, enquanto ergue a sua mini-saia mostrando os slips transparentes que não encobrem a sua opulenta racha.
Passa-lhe um braço sobre os ombros acariciando-lhe a nuca, com um sorriso provocante a bailar-lhe nos grossos lábios, entreabertos, numa promessa.
(...)
O redondo traseiro, que se oferece impúdico, é uma sinfonia erótica e sensual que vibra nos orgãos sexuais de qualquer macho, como uma dádiva dos deuses.



* * *

Gina 86 - "O Jardineiro Sexy"
O seu reportório de posições sexuais era bastante vasto e lembrou-me a madressilva que floresce em todos os lados sem qualquer dificuldade.

* * *


Caramba, repararam bem? Que outra revista falaria em "opulenta racha" ou numa "sinfonia erótica e sensual que vibra nos orgãos sexuais de qualquer macho, como uma dádiva dos deuses"?... Por mim garanto-vos - trocava todos esses dvds porno e revistas alemãs que se vendem agora nas sex-shops (segundo me contam, que eu disso não sei muito) por novos números da revista Gina. Isto sim, é poesia e sensibilidade. Ideal para a época que se atravessa... :')

segunda-feira, 22 de dezembro de 2003

Em português nos entendemos

Cena de pugilato num bar. O indivíduo causador é expulso por um agente da PSP que o arrasta para a rua. Por entre braços que o agarravam, o agressor alegava que não tinha causado distúrbios nem tinha provocado a cena de pugilato:

"EU NÃO AGREDI NINGUÉM... NEM FISICAMENTE, NEM VERBALMENTE, NEM PUGILATAMENTE"

Os meus parabéns ao senhor agente, que conseguiu manter o ar impávido e sereno perantes tais argumentos.

sábado, 20 de dezembro de 2003

Bom link sobre Blogs ingleses

O mundo dos blogs ingleses, de acordo com os prémios do respeitável "The Guardian".

A laçada feminina

Em tempos idos, dizia-se que uma mulher conquistava o homem pelo estômago - uma cozinheira prendada teria casamento assegurado.

Em tempos ainda recentes, dizia-se que a mulher, para estimular o ímpeto matrimonial no companheiro, engravidava. Resultados quase sempre garantidos, a julgar pelo número de amigos meus que ficaram gravidamente apaixonados.

Hoje em dia, os homens andam distraídos, e venho alertar para o mais recente método de laçada casamenteira em uso na praça - a compra de uma casa em conjunto.

Qual igreja qual quê - o verdadeiro casamento acontece na escritura, perante o notário e o Banco. A igreja é já um pro-forma, uma festarola para a família e amigos, em que a noiva se veste de branco imaculado, como sempre sonhou.

Bom mesmo seria levar um padre à escritura - abençoava as assinaturas e as alianças, metia €100 de comissão ao bolso e ala que se faz tarde. Sô Cardial Patriarca, para quando o casamento nos notários?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2003

Crise na brigada de trânsito

Aguardo ansiosamente mais demissões na brigada de trânsito, o que só pode ter consequências positivas:

- menos multas na estrada
- um Santo Natal, sem patrulhas nas principais vias
- menos cromos militarizados na TV, a alertarem para a chuva, as ultrapassagens, etc.
- redução do défice público, por via da redução da massa salarial da BT da GNR
- redução de custos com aparelhómetros de detecção de radares
- aumento da velocidade média de circulação nas estradas
- e muito mais, tivesse eu tempo e pachorra, a estas horas...

Porque não se extingue a Brigada de Trânsito? Não somos nós, contribuintes, que pagamos os salários deles? Acabe-se com este desperdício de dinheiros públicos. São os salários deles, as fardas larilas, os custos com tribunais para julgar os polícias que andam a extorquir dinheiro nas estradas, o combustível gasto pelas patrulhas, pá, tanta coisa, que se eu tivesse tempo e pachorra, a estas horas...

Eu assumo o negativismo do post. Talvez me sinta influenciado pela cartinha recebida lá em casa a recomendar a entrega da minha Carta de Condução, por um mês... uhm...talvez...

terça-feira, 16 de dezembro de 2003

O piolhoso

Com tanto para mostrar sobre a captura de Saddam Hussein, os ianques escolheram as imagens da inspecção médica à barba, cabelo e dentes, numa tentativa de retratarem o ex-ditador como um piolhoso de dentes podres.

Parece-me um desperdício de marketing. A maior parte do mundo civilizado já tem uma imagem muito pior desse indivíduo.

Como diria um colega meu, giro, giro, era filmar o gajo a enterrar a dentuça podre num belo Big Mac, e a emborcar uma Coca-cola. Não devem é ter conseguido os patrocínios a tempo...

Ainda por cima fizeram-lhe a barba. Sem que a Gilette, que andou anos atrás dos ZZ Top, pudesse entrar nesta história com alguma publicidade.

E já que o cataram, não houve nem um anúncio ao Quitoso? Mas estamos a brincar? Estes ianques parecem uns amadores...

E, e, e, e o bigode?! Uhm? Deixaram-lhe a bigodaça para molhar no caldo verde? Ou foi uma exigência de grupos ecologistas, para preservar uma colónia diminuta de piolhos de alguma especie em perigo?

E por fim, vem agora a filha do Saddam defender o paizinho, olhem lá onde vai ser o julgamento, coitadinho, etc e tal? Mas também esta? Mas ninguém percebe peva de comunicação e marketing? Uma gaja que mal tem mamas acha que irá conseguir um destaque sério nos media ocidentais? Oh santa inocência... alguém que lhe arranje algodão.

Homenagem a Manoel de Oliveira...

...mas sobretudo ao Gato Fedorento, do qual reproduzo na íntegra o seguinte post:

"JUSTA HOMENAGEM? O 95º aniversário de Manoel de Oliveira foi mais uma ocasião para enaltecer a carreira do realizador. Apesar de tudo, não estou certo do contributo do cineasta para a evolução da sétima arte. Se é verdade que o Manoel de Oliveira não teve culpa de nascer ainda o cinema era mudo, o mesmo não se pode dizer de andar há anos a fazer-nos crer que o cinema é paralítico. TD"

Nunca uma só frase resumiu tão bem a obra de Manoel de Oliveira. E nem vale a pena acrescentar mais nada.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2003

Experiência científica

Objectivo - Analisar o comportamento dos diversos espécimes face ao mítico Pastel de Belém;

Material necessário - 4 caixas de pastéis de belém, bastantes guardanapos, canela e açúcar.

Indivíduos a analisar - 2 russas, 2 alemães, 2 suiços, 2 ingleses, 1 holandês, 1 belga.

Resultados registados:

- 2 Russas - Enfiaram de imediato um pastel inteiro pela boca abaixo. Quando alertadas para o facto de existir canela e açúcar para condimentar o pastel, sacaram de imediato mais um pastel dos pacotes, encheram-nos de açúcar e canela desrespeitando as regras básicas das medidas culinárias e enfiaram de uma só vez o pastel na boca. Os restantes pastéis dentro do pacote foram retirados do local da experiência por motivos de segurança e de garantia de continuidade do processo experimental.

- 2 Alemães - Inspeccionaram o pastel de cima a baixo, cheiraram-no, sentiram-no. Perguntaram como se chamava em Português, tentaram várias associações para a língua deles às quais eu ia respondendo afirmativamente a todas elas (queria era que se despachassem a comer a porcaria do pastel), admiraram-no, apreciaram o processo de colocação do açúcar e da canela, quiseram saber a sua história e a árvore genealógica daquele pastel em particular. No final, um não quis comer porque tinha umnãoseioquênabarrigaqueamimmepareceramgases e o outro não quis comer porque tinha uma pastilha elástica na boca.

- 2 Suiços - Os suiços lamberam-se todos com o pastel. Acharam que era uma invenção fantástica e tentaram sondar quem possuia os Royalties da produção.

- 2 Ingleses - Comeram o pastel de belém como se fosse um bocado de côdea de pão. Após uma análise mais cuidada constatei que comem tudo como se fosse um bocado de côdea de pão não mostrando qualquer reacção diferenciada consoante o paladar do alimento. Julgo que este se facto deve aos séculos a comer a "gastronomia" inglesa que adormeceu (ou, qui ça, matou mesmo) as papilas gustativas.

- 1 Holandês - Pegou no cartucho de pastéis que estava aberto. Achou que estava leve e pegou no outro por abrir. Perguntou como quem não quer a coisa se podia ficar com aquele "restinho" e foi comê-los para um sítio escondido. Aparentemente gostou pois voltou para analisar o peso dos restantes pacotes.

- 1 Belga - Troquei-lhe a canela por cianeto. Devido à sua "indisposição" não consegui chegar a nenhum resultado conclusivo. (MMNNNHHHHIIAAAAHAHAHHAAHHAAHHAHAAHHA) ->(gargalhada maquiavélica).

Próxima experiência - Analisar o comportamento dos diversos espécimes face aos míticos Túbaros.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2003

O que eu quero ser quando for grande...

Todas as crianças têm um sonho para quando crescerem. O meu era ser alpinista, mas por alguma razão nunca aconteceu. Hoje, quero ser blogger profissional, mas estou ainda com dificuldades em arranjar patrocínios.

Acho que quanto maior a certeza de uma profissão futura, maior a motivação e consequentemente sucesso no ensino. Deste modo, proponho a criação das seguintes disciplinas em todos os colégios, jardim-escolas, infantários e todas as outras associação não criminosas que alberguem crianças com idades inferiores a 6 anos:
- Alpinismo fácil - Da teoria à prática. Ideal para futuros alpinistas.
- A arte do bisturi - Abre o teu gatinho em casa e vê de que ele é feito. Para jovens aspirantes a médicos veterinários. Gatos e outros animais naõ incluidos.
- Bombeiro ou pirómano - os dois lados do fogo. Para os miúdos que dizem que querem ser bombeiros, mas que não compreendem se gostam de causar ou apagar fogos.
- Educação de fedelhos ranhosos - educa os teus amigos. A escolha de um amiguinho e tentativa de educá-lo, avaliando a capacidade do indivíduo para educador de infância.
- Adolescência eterna - uma opção de vida. Consiste em komessar a eskrever assim, nao pagar ax propinax e extar 12 anus a tirar um kurso de hixtoria da arte barroka.
- Funcionalismo público - uma arte refinada Entrar no infantário às 9:30, sair às 16:45, dizer que qualquer actividade proposta não pertence ao seu departamento e demorar 16 dias a fazer um desenho que com o devido empenho seria realizado em 2 horas. Esta disciplina é das mais concorridas, pois o individuo tem aqui iniciação aos computadores, de modo a avaliar as suas capacidades para quatro importantes aplicações: Freecel, Solitário, Minesweeper e Copas.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2003

O Natal, o maior sucesso de marketing a seguir ao Restaurador Olex

Ahhh Natal a chegar. Começamos a sentir-lhe o cheiro no final de Setembro (ainda me lembro quando era só em Dezembro) e depois é um ver se te avias até ao final de Janeiro. O carinho, o amor e todas essas coisas boas que as Miss Universo desejam para a rapaziada, mais o fim da fome nos países desenvolvidos e o aparecimento do UMTS nos países de terceiro mundo.

As prendinhas a oferecer começam a popular as cabeças do povo, colocando em euforia os neurónios dedicados à prendofonia, trocando entre si impressões sobre o que oferecer ao tio Alfredo, à vizinha Arminda, ao rapaz do 4º Dto dois lotes abaixo, aos 24 cidadãos que passaram na rua e por acaso tinham um ar familiar, ao senhor Rudolfo da merceria, a todos os funcionários da carris que tenham ajudado a picar o módulo e a quem mais vier.

Todos os anos se cai nas mesmas rotinas: os perfumes, loções after-shaves, desodorizantes (uma vez deram-me um, de marca "Insignia", que tinha a particularidade de desentupir o nariz não por 6 a 8 horas, mas enquanto o cheiro a sovaco não dominasse), cremes, cachecóis, peúgas, molduras, camisolas (generalizemos - ROUPA), livros (tipicamente os livros da moda), chocolates, coisas inúteis feitas em PVC tipicamente vendidadas em lojas como a Funny e a Michele K e que por mais que nos esforcemos nunca lhes conseguimos dar uma utilização satisfatória, CDs (que 98% das vezes não gostamos), peluches... enfim, poderia continuar mas certamente nunca iria terminar. Todos os anos me esforço por manter um ar surpreso quando abro o embrulho, e todos os anos faço o meu ar de "Eina, fantástico, obrigado Madrinha Cinda, era mesmo umas peúgas verde alface que eu estava a precisar para levar para o trabalho. Assim consigo combinar com a gravata rosa choque com riscas cinzentas e castanhas que me ofereceu o natal passado. Eina, estou mesmo contente, uau, bestial, que baril Madrinha (as madrinhas acham que baril é um termo orgásmico e ficam mesmo sensibilizadas e continuam com as merdas de prendas todos os anos. Se calhar devia mudar para o método "porra madrinha, enfie as meias no cú para ver se mudam de tom, que caraças")". Claro que isto é dito com um ar convincente e é graças a muitas horas de treino que consigo obter os resultados pretendidos.

Coisas que eu gostaria de receber, que tenho a certeza que ainda não vai ser este ano, e que espero que ajudem as multidões (de neurónios) que nos lêem a mudar a maneira de surpreender as pessoas:
- Um arenque ventríloquo veterano da guerra. Animais de estimação são sempre bem vindos mas gatinhos, cãezinhos e ratinhos já são demodé. Um arenque é simpático, tem aqueles olhinhos ternurentos e faz sempre uma calorosa recepção quando chegamos a casa. O facto de ser ventríloquo dá um ânimo especial à casa quando recebemos os nossos amigos e o facto de ser veterano de guerra torna-o responsável e excelente em auto-defesa. Eu sei que é dificil arranjar arenques veteranos de guerra, mas julgo que ainda há muitos refugiados nas piscinas de concentração da Docapesca de Sesimbra;
- A versão nepalense do "Quem mexeu no meu Iaque" - Um must to have na minha opinião. Profunda e sincera, esta obra não vai deixar impávido e sereno quem a ler;
- Uma sanita "puff". Sim, os puffs estão agora na moda (mas que raio, como é que se escreve esta merda? É puf, puff, pouf?????) mas eu quero um versão sanita. Na realidade não tem esferovite e é muito giro porque podemos contar com os nossos amigos para ajudar a enchê-lo através de horas de caganeira em ambiente de pura diversão;
- Uma rectroescavadora, sim, para ir para o trabalho, estacionar no parque do Colombo, passar na via verde, apitar aos queques à porta do BBC enquanto levo a pá da frente cheia de vacas ruminantes, e para ver os arrumadores do Ritz a sofrerem a estacionar aquela coisa;
- Um badalo de sino de mosteiro de Chaolin (acho os de mafra muito abichanados), para usar como pêndulo ao peito e por fora da camisa (a minha vertente de pseudo-emigrante a vir ao de cima) ou simplesmente no bolso, a servir de porta-chaves. ("desculpe, isso é o pêndulo de sino de mosteiro de Chaolin que tem no bolso, ou está contente por me ver?");
- Todos os programas do TV Rural do Sousa Veloso em DVD, com extras como os apanhados das gravações do 70x7, os melhores genéricos dos créditos de telenovelas portuguesas entre 1983 e 1987 (tem que ter a "Vila Faia" senão não quero), as mensagens revolucionárias passadas subliminarmente pelo Vasco Granja e as cut scenes do filme "Branca de Neve" de João César Monteiro;
- Uma perna de perú em cera, para colocar na mesa de cabeceira;
- Um poster do Bardamerda Pinheiro, com o seu casaco com bolsos de vaca animados;
- O blog do Quarto Segredo em braile;
- Uma colecção de cera de ouvido dos diversos povos do mundo, devidamente identificada e catalogada e com pedaços em tamanho suficientemente grande para se poderem apreciar através do tacto, olfacto, paladar e visão.

Um santo natal para todos vós e boa sorte para as prendas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2003

Apertem os cintos que esta vai doer...

Estava a aterrar em Genebra. Naturalmente, o avião ao aterrar fez algum barulho acompanhado de alguma turbulência (convenhamos que aterrar de pantufas um bisonte daqueles é difícil).

Perante o barulho e a turbulência, a senhora ao meu lado vira-se para o marido e diz:
“Vês, este aeroporto tem mais pedras”.

E pronto, fiquei a saber que o aeroporto de Genebra é na realidade uma estrada romana, só comparado ao aeroporto de Óbidos, onde aterram também com barulho e turbulência os Boeings daqueles de 2 andares. Nem quero imaginar o aeroporto de Creta…

Fátima - as estatísticas.

Consultar as estatísticas sobre os visitantes do Quarto Segredo da Fátima é sempre uma actividade interessante, nomeadamente a consulta às pesquisas que esses mesmos visitantes fazem no google e motores de busca afins e que acabam por trazê-los até aqui.

Fazendo uma análise a algumas das pesquisas que têm sido feitas nestes últimos quatro meses e picos, julgo que podemos dividir os visitantes que deram com o nosso site através de pesquisas em motores de busca por quatro grandes grupos: os porno-simples, os porno-idiotas, os desiludidos e os dementes. Para uma melhor compreensão sociológica de quem é o público alvo deste blog, passo a descrever cada um dos grupos.

I. Os porno-simples - este grupo é constituído pela malta que passa os dias na net a pesquisar sites porno. O facto de darem com o nosso blog através dessas pesquisas deve causar-lhes alguma irritação, no entanto não param de cá vir. São os visitantes mais comuns e dão com o Quarto Segredo através de pesquisas como:
- famosas portuguesas nuas
- fotos suecas nuas
- gajas portuguesas
- garganta funda
- fotos nuas da Marisa Cruz
(esta é recorrente...)
- porno caseiro em Portugal
- miudas nuas em fotos gratis


II. Os porno-idiotas - este grupo é um pouquinho mais refinado que o anterior. Trata-se de pessoal que vai para os motores de busca à procura de sites porno, mas que faz pesquisas por termos e expressões tão rebuscados que convenhamos, só por milagre encontrariam algo de jeito - assim sendo, o facto de virem parar à Fátima nem é mau de todo, pelo menos dão com um site de alto valor social e cultural e pode ser que aprendam algumas coisas por cá. Alguns exemplos de pesquisas efectuadas por este grupo:

- meteção com animais amadoras (meteção?...)
- fotos de famosas portuguesas como vieram ao mundo
(mas alguém pensa encontrar sites que tenham esta frase?!)
- fotos raparigas faculdade de Lisboa nuas
(o que me espanta é o preciosismo desta pesquisa - não podem ser raparigas da Beira Interior ou de Coimbra ou do Porto... não, têm de ser da faculdada de Lisboa!...)
- minha mulher fotos sexo portugal
(este senhor deixa a mulher andar por aí à solta?!...)
- ratas peludas
(enfim...)
- picha de homem
(de homem?... mas queria que fosse de quê?...)
- fotos mulheres nuas camisola
(contradição idiota... são nuas ou com camisolas?...)
- as portuguesas gostam de levar no cu
(não percebi se este tipo estava a pesquisar ou a afirmar...)

III. Os desiludidos - os desiludidos são visitantes que fizeram pesquisas por coisas perfeitamente inocentes no google e que acabaram por vir parar à Fátima. Imagino a desilusão de muita desta gente por ver que o site em que entraram não tinha absolutamente nada a ver com o que procuravam (de certa maneira os visitantes dos grupos anteriores também podiam estar neste, mas como fizeram pesquisas porno tinha mais piada apresentá-los em grupos à parte...)
Pesquisas já efectuadas por membros deste grupo:
- RTP tv rural
- relatório da McKinsey sobre a produtividade em Portugal
- receita de farturas
- bares de alterne em Natal
- anjo barroco
- cd das telenovelas da tvi
- gastronomia da belgica
- canibal alemão
- gravidez e animais em casa
- quarto casal moderno design
- conan bd poster
- fabricantes chavenas
- alheira de mirandela
(a minha preferida...)

IV. Os dementes - Os dementes são o grupo mais estranho e, de certa forma, assustador. Trata-se de gente que fez pesquisas completamente incompreensíveis e que, para cúmulo, vieram parar à Fátima através dessas pesquisas... Não sei bem como explicar o que faz estas pessoas procurar isto, mas a verdade é que eles andam aí!...
- postal força caminhe em frente
- maquinas alheiras
- gases emitidos por cadáveres
- bolsos de vaca animados
- qual o modelo que criou o próprio modelo da Barbie
- um dois tres botilde
- bardamerda pinheiro
- fotos das fases da decomposição humana
- pes suados
- estalada perfume



E pronto. Garanto que não inventei nada para este post - todas as pesquisas de que aqui falo foram mesmo feitas no google e sites similares, e o google (ou os outros motores de busca) listaram mesmo a Fátima como um dos resultados possíveis.

Ah, e se os senhores que pesquisaram por "bardamerda pinheiro", "bolsos de vaca animados" e "estalada perfume" por acaso vierem cá de novo e lerem isto... por amor de Deus, em que estavam vocês a pensar?!?!?!...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2003

Alors...

Hoje, título em francês.

Quem nunca ouviu um franciú dizer "Alors,..." antes de começar uma frase que atire a primeira pedra.

São profundamente irritantes, e a maldição entranhou-se também nessa estirpe de emigras conhecida por Homo Tuga Franciú. Quando se lhes pergunta "Tão pá, vieste cá passar as férias?", a resposta mais típica será "Alors, oui, cá estoue."

Pensei que era uma maldição estritamente francesa. Mais um espinho a contribuir para a minha desconsideração por essa língua larilas de tão feminina.

Apercebi-me recentemente que o português também enferma do mesmo mal.

Em português é a expressão: "É assim..."

Observem atentamente os nativos cá do retângulo e digam-me se não é verdade.

Vejam lá a quantidade de gente vossa conhecida que começa metade das frases numa conversa mais argumentativa por "É assim...".

Humilhem-nos como se fossem franceses! Chamem-lhes a atenção! Vamos erradicar essa piroseira da nossa língua. Alguma vez Camões diria isso? Cambada de afrancesados!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2003

Afónico

Raios, é oficial, estou afónico. Devido a um maldita constipação a minha voz não passa de murmúrios lastimantes. Associado a isto, vêm todas as dificuldades do quotidiano:
- Para chamar alguém que esteja do outro lado da sala tenho que:
a) Mandar um mail;
b) Atirar-lhe com qualquer coisa, e de momento as únicas coisas atiráveis que tenho à mão são o carregador de bateria do portátil e um pacote de detergente de roupa "TOTAL Concentré" de 220ml (182.6gr) e que aparentemente dá para 2 máquinas com temperaturas entre os 30° e os 60° (o porquê de eu estar no estrangeiro com um mini-pacote de detergente de roupa na minha mesa será revelado um dia, se me apetecer...)
c) Mandar uma cotovelada no mancebo aqui do lado e sinaleticamente pedir-lhe para chamar o devido receptor.
- Na casa de banho se alguém bate à porta só posso:
a) Esmifrar a voz para puxar um raquítico som. Nunca sondei a opinião da pessoa do outro lado, mas dá mesmo a ideia que estou no meio do "controlo fronteiriço da mercadoria"
b) Bater também na porta. Ridículo.
- Nas reuniões consigo colocar toda a gente com cara de esforço a tentarem perceber o que digo;
- Para atender ao telefone tenho que voltar a chamar o mancebo. (o que até dá um certo estilo, ter um secretário para atender o telefone. A ver se para a semana o gajo não percebe que já estou bom);
- Aqui chamam-me de "Godfather" por parecer com o Marlon Brando a falar no filme do Padrinho.

Enfim, o que vale é que a miúda da agência de viagens adorou a voz, por isso vou tentar decorar o som e praticar em casa, para quando estiver curado conseguir uma imitação perfeita.

Mais uma razão para as gajas irem aos pares às casas de banho

A Tasqueira colocou uma magnífica tese sobre as razões pelas quais as gajas vão aos pares às casas de banho.

Só queria acrescentar mais uma: pessoalmente acho que as gajas vão às casas de banho aos pares por uma razão "acrobaticohigiénica"... sim, como aquela porcaria é pública, e porque as gajas estão condenadas a sentarem-se para qualquer evacuação de dejectos (ou não, de acordo com o último post do Blitzkrieg), dezenas de rabos passam pelos tampos das sanitas.
Ora como as babes não querem correr o risco de ficar com as nádegas coladas às diversas camadas de gosma do tampo da sanita, têm que ficar de joelhos flectidos e a mirar o alvo. Como é uma posição cansativa e que requer um elevado grau de perícia, levam sempre uma ajudante para as segurar pelos braços. Se pensarmos bem, podemos fazer uma analogia com os bombardeiros, que levam sempre dois tripulantes... um para conduzir, e o outro para mirar e disparar.

Tasqueira, um grande bem haja para ti.

P.S. - À semelhança da análise da idade de uma árvore pelas diversas camadas de madeira, será que se consegue analisar a idade de uma sanita pública pelas camadas de gosma lá acumuladas.

Más macho que camacho!

Depois da Bratwurst, sai um título em espanhol... mas é uma expressão adequada para o que vos vou apresentar: um cone mijatório para mulheres.

Nem mais, amigos e amigas. Vejam a animação gráfica.

Finalmente, as meninas podem urinar de pé, à homem. Isto deve ter um mercado tremendo em Portugal, considerando que a maior parte dos homens rega generosamente o tampo das sanitas. Oh Tasqueira, tu que és gaja, usavas isto?!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2003

Bratwurst*

Tentei passar olimpicamente ao lado da notícia, mas algo me perturba.

Temos então um canibal alemão, que convenceu (?!?) um indivíduo a ser comido vivo e morto, literalmente comido. Iniciam juntos o repasto, e decidem começar pelo pénis - zás - cai o cutelo, salta o pénis, o outro esvai-se em sangue, enquanto se decidem a comer - juntos - aquele pedaço tão simbólico de carne humana.

Algo me perturba aqui.

Então e os condimentos?! As notícias são omissas.

Ainda imagino o canibal a dizer "isto ficava bem a marinar em vinha d'alhos de um dia para o outro", mas o doador, a ficar sem pinga de sangue, deve ter dito que também queria provar, pelo que o condimento deve ter sido outro. Mas qual?? Massa de pimentão? Frito simplesmente em azeite e alho, aberto ao meio, com umas pedrinhas de sal? Afinal, mais que o bacalhau, o pénis quer alho, suponho eu.

* Bratwurst: salsicha branca, alemã, de carne de porco fresca fortemente condimentada, servida normalmente frita.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2003

Design de peças utilitárias e de decoração

Muitos hesitam em gastar dinheiro em peças de design, por se sentirem ludibriados em termos de preço.

Ofereço aqui a solução, aplicável a peças de casa, utilitárias ou de decoração. No fundo, o que fazer quando se olha para uma jarra de €500?

1. Não rir na cara do empregado da loja. Fazer um ar blasé (olhar distraído de quem quer dizer que se está a cagar porque tem dinheiro - praticar em casa)
2. Olhar de subito, e atentamente, para a peça. Procurar uma assinatura ou a marca do fabricante - ajuda a dar a ideia de entendido.
3. Pensar cuidadosamente - e aqui vem o ponto chave deste post - se uma vez posta lá em casa, aquela peça tem aspecto de poder ter sido comprada na Tribo* ou na Casa*, não comprar - é design vulgar**, pelo que não vale o dinheiro.

Fica o conselho para as compras de Natal.

* Tribo e Casa devem ser trademarks de alguém.
** Gostos não de discutem, pelo que aceito opiniões diferentes, com um ar blasé.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2003

Os estádios de futebol chineses

Houve quem dissesse por esses jornais fora: Gasta-se agora o dinheiro nos novos estádios, mas temos estádios para 50 anos, que serão a inveja da Europa.

Idiotas umbilicais.

Vejam as propostas de estádios que a China está a analisar para os jogos olímpicos de 2008.

Pessoalmente, o meu favorito é o estádio B11, pela beleza estrutural.

Por outro lado, espanta-me a incúria dos responsáveis chineses - nem um estádio dedicado ao chao min de gambas, nem um em forma de "fortune cookies", e chop sticks nem vê-los. Por Confúcio, que opções arquitecturais são estas? Onde está a cultura chinesa naqueles estádios? Nem um estádio em forma de Templo de Shaolin, pelo menos?

Aqui em Portugal, o arquitecto Tuga Pato Bravo esteve melhor, salientando aspectos característicos da nossa cultura.

No Alvalade XXI, em memória da melhor tradição do azulejo nas fachadas das casas dos emigrantes, podemos observar uma explosão de côr, que foge ao tradicional azul oitocentista, que não poderia pontuar na casa leonina, que se impunha verde.

Na nova catedral benfiquista, o vermelho da bandeira nacional, que representa o sangue derramado pelos nossos soldados na defesa do solo pátrio. No caso benfiquista, simboliza adicionalmente o tom vermelho escuro de um arrozinho de cabidela de águia, numa ode à culinária nacional, em particular nos pratos de caça.

No estádio do Dragão, a estrutura redonda do estádio, um círculo de perfeição, um yin-yan futebolístico, uma... esperem... dragão, círculo, yin-yan? Mas aquela merda foi desenhada por um chinoca?!

quinta-feira, 27 de novembro de 2003

Os urinóis públicos na arquitectura contemporânea (parte III e última)

Estamos na fase de lavagem das mãos.

Ora o utente tem agora as mãos molhadas. Encaminha-se para a máquina de secar as mãos. Tem um botão grande. Necessariamente sujo, pelos utentes que fecharam as torneiras e voltaram a infectar as mãozinhas. O que se pode fazer:

- Premir o botão com o cotovelo;
- Secar as mãos nos bolsos das calças;
- Passar as mãos molhadas no rabinho das primeiras 3 gajas de jeito que saírem do WC feminino – envolve algum risco!;
- Passar as mãos pelo cabelo, reforçando o wet look.

Arquitectos, as maquinetas mais uma vez têm de ser aquelas com sensores. Papel é pouco ecológico, toalhas ainda pior.

Nisto, chega o momento de sair do urinol público. Numa perspectiva funcional e arquitectónica, importa que estejamos perante uma porta tipo saloon, onde uma carga de ombro ou um pé em riste podem garantir a sua abertura com segurança e limpeza.

Limpeza?!, pergunta o incauto leitor. Sim. Voltando ao provérbio francês, todos aqueles de mangalho sujo que não se dignaram a lavar as mãos depois do mictórico acto lambuzaram a porta à saída com matérias que vou evitar descrever.

Termino assim o meu contributo para o design de lavabos públicos, que tentarei publicar nos cadernos de arquitectura.

Aceitam-se recomendações e informações para a lista negra dos lavabos a implodir com urgência. Não se preocupem em listar as instalações sanitárias da Rodoviária, da CP, da C.M. Lisboa, ou do metropolitano. Já estão na lista.

quarta-feira, 26 de novembro de 2003

Os urinóis públicos na arquitectura contemporânea (parte II)

(ver parte I, no post abaixo)

Ora, face ao conspurcado botão do autoclismo no WC público, as 3 opções do utente são:

Na primeira, virar costas e deixar o mijum amarelo a fermentar e a libertar odores, mas mantendo os dedos limpos e longe da nhanha dos outros. Ignorar as vozes de “porco” e “lá em casa também és assim?”. Eles que metam lá o dedo deles no botãozinho!

Na segunda, arriscar o contágio, e premir o autoclismo do urinol, com o pensamento no lavatório, que está próximo. Usar a outra mão para recolher o mangalho e fechar o fecho ou os botões das calças.

Na terceira, puxar de um lenço de papel para interpor entre a conspurcação do botão do autoclismo e os nossos dedos imaculados.

A “definitive solution” passa pelos sensores electrónicos, que permitem, assim que um gajo se afasta, uma descarga limpa e eficaz. Estão atentos, senhores arquitectos?

Afinal, como diz um provérbio francês: “Há 2 tipos de homens, os que lavam as mãos depois de mijar e os que não lavam as mãos depois de mijar. Os primeiros têm de lavar as mãos porque têm o mangalho sujo.”

Enfim, conclusões de franciús…

Segue-se o acto de lavagem das mãos, necessário nos casos em que:

- O utente tem o mangalho sujo (vide provérbio francês)
- O utente sacudiu com pouca arte
- O utente, contra toda a lógica, premiu o botão do autoclismo

O utente dirige-se então ao lavatório.

E a torneira? Como abrir uma torneira? Considerando os 3 motivos de lavagem aqui apresentados, qualquer utente que se dirija à torneira vai sujá-la.

Até se poderia pensar: mas então, se vamos lavar as mãos de imediato!
Uma falácia, porque a mãozinha lavada vai fechar a torneira suja…

Senhores arquitectos, as torneiras com sensores estão cada vez mais baratas! Aquelas torneiras que com um toque em cima despejam água durante 20 segundos também são interessantes, porque não exigem a operação de fecho.

Em alternativa, o utente pode recorrer a mais um lencinho de papel, mas começa a parecer larilas, de tanto usar lenços de papel, para um acto simples como urinar.

Próximo e último post da série: secar as mãos e sair da casa de banho.

terça-feira, 25 de novembro de 2003

Os urinóis públicos na arquitectura contemporânea (parte I)

Permitam-me inaugurar uma séria sobre um problema que me preocupa desde há anos – o mau conceito de arquitectura e design que grassa por essas casas de banho públicas afora. Parecem desenhadas por gajos porcos e sebosos e não por um arquitecto. E se calhar foi assim mesmo…

As senhoras que me desculpem, mas isto vai ser um tema para machos.

Urinol público abarca as casas de banho dos centros comerciais, das estações de serviço, da rodoviária nacional, e similares.

Vamos escalpelizar o problema por partes.

Entrar no WC público: de porta aberta ou fechada, não há problemas de maior.
Escolher o urinol: Sabendo que os homens não gostam de ficar lado a lado, o nº de urinóis tende a ser impar, o que é positivo. Por exemplo, se temos 5 urinóis, dá para 3 gajos, nas posições 1, 3, e 5. Se chega um 4º utente do WC, terá a escolha difícil de importunar 2 pessoas, seja na posição 2 ou na 4. A melhor opção será esperar por uma vaga nas posições ímpares. Em termos de arquitectura, recomendam-se 3, 5 ou 7 urinóis consecutivos, nunca mais, e nunca em nº par.

Neste ponto, o utente mija. Sacode 2, 3 vezes, e pensa na descarga de água. Olha para o botão metálico. Sujo. Quantos gajos antes dele terão lá posto o dedo? Com pingos de mijo da sacudidela? E os restos da pívia do último velhadas tarado que por ali passou? E tu leitor, pões lá o dedo?

3 opções, a ver no próximo post.

sábado, 22 de novembro de 2003

A verdadeira escuta telefónica a Ferro Rod(pzzt)es!

Fontes do Quarto Segredo, situadas no D(pzzt) permitiram-nos o acesso à seguinte transcrição da conversa telefónica entre Fer(pzzt)igues e António Cost(pzzt), parte da qual já tinha sido revelada num post anterior:

FR: (pzzt)Estou-me babando (pzzt)por uma sandes de linguiça!(pzzt)
AC: O quê, pá? (pzzt) Estás-te cagando para o segredo de justiça?
FR: De linguiça (pzzt), linguiça, pá. Com a fome que estou até chupava os dedos!
AC: (pzzt) chupavas?!?... (pzzt) dedos? Não percebi.
FR: Pá, tenho que trocar (pzzt) tudo por miúdos, pá? (pzzt)
AC: Pá, (pzzt) chupav(pzzt) dos miúdos, pá?
FR: Pá, não ouvi, mas (pzzt) voltando ao tema da (pzzt) pedofilia, digo-te que é uma merda.
AC: O (pzzt) quê, pá? (pzzt) Voltares à pedofil(pzzt), porque estás na merda?
FR: (pzzt)se estou onde? No café do parlamento, pá. A comer alheira de Mirandela. Não quer allheira?
AC: (pzzt) Caralheira? (pzzt)
FR: De Mirandela.
AC: De ti e dela? Pá, ouve-se ruido!(pzzt)
FR: Com ovo mexido? (pzzt) Não, estrelado.

Com base nesta transcrição, os serviços do D(pzzt) concluíram que Ferro chupava os dedos, possivelmente roia as unhas, e sofrerá de caganeira por comer no café do parlamento. Sobre Ant(pzzt) Costa concluíu-se apenas que é meio surdo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2003

Isto só à bofetada

Desde há alguns meses para cá que tenho vindo a trabalhar com pessoas de diversos países, desde suiços, ingleses, russos, egípcios e belgas.

Ora, um desses colegas belgas, virou-se para mim a rir e a dizer que "os portugueses têm uma porcaria de uma comida e a gastronomia belga é maravilhosa" (isto obviamente dito num inglês abelguesado, com toques de francês à mistura). A título de enquadramento, este belga é o famoso de fato preto, calças por cima dos tornozelos e meias brancas do snoopy (ver post "A importância de bem vestir" de 22/10/2003).

Bom, a minha primeira reacção foi partir para a estalada. Ouvi dizer que em casos de histeria devemos acalmar as pessoas com uns bons tabefes, e este caso pareceu-me claramente uma crise crónica de histerismo, e quer fosse quer não, os tabefes seriam como a aspirina, recomendam-se para qualquer maleita. Controlado, resolvi perguntar-lhe o que é que ele conhecia da nossa gastronomia. Nada, como é óbvio. Depois, decidido a desancá-lo até ao nível do puré de batata, questionei-o quanto à gastronomia dele. Resposta: "Bom, temos os mexilhões e uns excelentes restaurantes de pasta".

Mas o gajo é parvo? Os mexilhões deles parecem pastilhas super-gorila com sabor a praia do Trancão (não, não é do Ancão, é mesmo do Trancão) e claro, pizzas e spaghettis, que distracção a minha, como é que me fui esquecer desses pratos tão tipicos e originais da bélgica.

A discussão acabou aqui. Ainda hoje quando falamos de comida me apetece enfiar-lhe uma alheira de mirandela pelo reactor traseiro, para ver se o gajo começa a ver a gastronomia portuguesa com outros olhos.

terça-feira, 18 de novembro de 2003

A pata do Dragãoue!

Sobre um tema - a inauguração do Estádio do Dragão - apetece-me dizer 2 ou 3 coisas, que até são 4:

1. O árbitro estava comprado - como habitualmente nos jogos do FCP, o penalty não existiu, mas acho bem que para inaugurar o estádio novo se mantenha a tradição.

2. O Barcelona estava comprado - levaram uma equipa de 2ª escolha para assegurar que o FCP ganhava o primeiro jogo no novo estádio - também não me parece mal.

3. O Luís de Matos estava comprado - o resultado final já estava contratado com o Barcelona há mais de 1 semana - acertar no resultado foi fácil.

4. A equipa do FCP estava comprada pelo Luís de Matos - imagino-os todos torcidos e encolhidos, debaixo do palco, à espera do momento em que podiam aparecer, e a gritar: "Abram esta merda! Abram esta merda!"

5. O Pinto da Costa estava comprado - o estádio era para ter o nome "Estádio Pinto da Costa" mas as letras não cabiam todas na porta de entrada. Assim, optaram por um nome mais curto, embora o Pinto da Costa tenha dado um voto de vencido.

segunda-feira, 17 de novembro de 2003

A empregada de escritório versão 1920

Tenho tido a curiosidade histórica de trabalhar ocasionalmente com uma senhora que parece saída de um filme do tempo do cinema mudo.

A senhora ronda os 45 anos. É empregada de escritório. Tem um cabelo loiro violentamente oxigenado, e perfeitamente firme à força de descargas diárias de laca. Por muito que ela abane a cabeça, nem um cabelo sai do sítio. Os olhos, sempre esbugalhados e sublinhados à bruta com um tom de lápis-lazuli, dão-lhe um ar de múmia egípcia.

A roupa, só aparentemente foi retirada do baú das traças da mãe dela. Tenho a certeza que foi comprada na Baixa lisboeta, numa das 2 ou 3 lojas que ainda vendem as sobras da liquidação total dos Armazéns Grandella, do ano 1940. Só a imagino a entrar na loja, e o dono, seguramente velhote, a ensaiar uns passos de Charleston por ver uma das suas 17 clientes a entrar pela porta.

Sobre o perfume, hesito. Não sei se é perfume se é a naftalina da roupa. Se for naftalina, não será muito forte. De qualquer modo, o cheiro da carga de laca abafa os outros odores.

De onde saem estas pessoas?! Onde vivem? O que pensam?

segunda-feira, 10 de novembro de 2003

os gases de Torres Novas

Espreitando o site do Portugal Diário, deparei-me com uma fantástica notícia que relata o dramático caso de algumas escolas da zona de Torres Novas que precisaram de ser encerradas devido ao forte cheiro a gás que nelas se fazia sentir.

As escolas deverão estar encerradas até quarta-feira para "arejamento do solo que se encontra impregnado com o gás", informa-nos a notícia.

Ora a propósito deste tema, várias especulações se poderão levantar sobre os responsáveis por esta situação:

- serão responsáveis os alunos, que à força de lançarem bombas de mau-cheiro (que no meu tempo de estudante recebiam a pitoresca designação de "peidos engarrafados") durante anos a fio foram impregnando o solo das escolas com um forte cheiro a gás intestinal?...
- serão responsáveis as cantinas das escolas, que à força de servirem refeições de composição estranha, aspecto inenarrável e consistências variando entre o esponjoso e o granítico, causaram durante anos a fio violentos ataques de indisposição intestinal aos alunos das respectivas escolas, levando a que a consequente libertação de gases fosse contaminando o solo acabando por levar à situação actual?

O Quarto Segredo, após leitura atenta da notícia, reparou num facto curioso - a escola aparentemente mais afectada, cujos alunos tiveram de passar pelo Hospital de Torres Novas com sintomas de intoxicação, chama-se Escola EB2,3 Chora Barroso. Ora porque chora Barroso? Obviamente, por ter de aguentar à força com o mau cheiro a gases intestinais durante anos a fio. E como se chama o presidente do conselho executivo da dita escola? Segundo a notícia, trata-se do senhor António Contente - está encontrado o nosso culpado. Numa situação destas a única pessoa que poderá estar Contente é seguramente o autor dos gases, dado que é sabido que um belo peido cheira mal a toda a gente menos a quem o larga.

Senhor presidente do conselho executivo, é melhor ir dizendo adeus ao seu hábito de peidar - é que depois desta situação toda, nem uma pequena bufazinha lhe perdoarão...

O "porcogresso"

Já toda a gente sabia que os japoneses são pioneiros em inventar gadjets que umas vezes são muito interessantes, e outras até hoje ninguém percebe a sua utilidade.

Foi anunciado ao mundo que a companhia NTT DoCoMo está a desenvolver um telemóvel de pulso. Até agora nada de novo, os japoneses sempre tiveram o fetiche do pulso tentando criar TV’s, calculadoras, máquinas fotográficas que se adaptassem bem ao pulso humano, daí que um telemóvel não seja nada de novo. MAS, este telemóvel, o "wrist-worn terminal", utiliza o dedo como auscultador. Pois é, aparentemente, o telemóvel de pulso converte o som da voz em vibrações que serão transmitidas aos ossos dos dedos, dedos estes que entrarão no cerôdio dos nossos ouvidos para nos serem transmitidas as mensagens.

Bem, isto é realmente uma inovação daquelas que nos deixa de boca aberta, não só por ser uma inovação porca, mas por ser completamente diferente de tudo o que estamos habituados. No entanto, acho que ainda vai ser preciso superar alguns problemas, como por exemplo :
- Ninguém nos querer cumprimentar após termos tirado o dedo do ouvido, mesmo que digamos que estávamos a fazer uma chamada importante ;
- Os médicos proctologistas que recebam uma chamada em pleno exame ao paciente, certamente não vão querer introduzir o dedo no ouvido após retirá-lo do seu "local de trabalho";
- Durante a hora de ponta, o processo de retirar burriés das narinas (prática muito famosa hoje em dia nesta situação), revela que podemos transferir os búzios extraídos do nariz para os ouvidos, criando colónias alternativas (estilo a propagação de flores através do pólen transportado pelas abelhas);
- Conduzir e falar ao telemóvel vai ficar muito mais perigoso do que nunca.

Já para não falar no ridículo que é irmos na rua, de dedo enfiado no ouvido e a falar para o pulso. E como tudo isto tem o marketing a funcionar, cedo irão aparecer os famosos acessórios. Pergunta: Em que orifício do nosso corpo é que vamos ligar os acessórios?

quinta-feira, 6 de novembro de 2003

Se a lei o diz

Segundo um mail que recebi, o jurista brasileiro Washington de Barros Monteiro, no seu Volume 2 do Curso de Direito Civil - Direito de Família, pág. 117, refere o seguinte:

"(...)do ponto de vista puramente psicológico, torna-se sem dúvida mais grave o adultério da mulher. Quase sempre, a infidelidade no homem é fruto de capricho passageiro ou de um desejo momentâneo. O seu deslize não afecta de modo algum o amor pela mulher. O adultério desta, ao revés, vem demonstrar que se acham definitivamente rotos os laços afectivos que a prendiam ao marido e irremediavelmente comprometida a estabelecida do lar. Por outras palavras, o adultério da mulher transfere para o marido o encargo de alimentar prole alheia, ao passo que não terá essa consequência o adultério do marido. Por isso, a sociedade encara de modo mais severo o adultério da primeira."

Após uma rápida investigação descobri que podemos comprar o livro aqui por apenas R$ 64,00. Reparem ainda que este livro se enquadra na categoria de "Livros Jurídicos - Universitários".

Ensinar tal génio na universidade é sem dúvida um passo em frente no progresso. Pessoalmente, acho que estamos próximos de voltar a oficializar a poligamia, e de criar de novo estrados de açoitamento público para mulheres apanhadas em pecado flagrante fora do seu matrimónio.

Dr. Barros Monteiro, um grande bem haja para si, e muito obrigado por nos iluminar. By the way como é que gere as coisas lá em casa com a patroa? Ela aceitou bem "as suas saídas para ir comprar tabaco" ou teve que levar uns correctivos para compreender a doutrina?

quarta-feira, 5 de novembro de 2003

A título de complemento do post parvo-erótico...

... e enquanto aguardamos o tão ansiado post sobre a revista Gina:

Fui ontem a um restaurante chamado "LA BROCHE". Desolado, o serviço não correspondeu minimamente às expectativas causadas pelo nome. Ainda esperei por meninas de Los Angeles a prepararem-se para o serviço, mas nada aconteceu. Ir-me-ei queixar por publicidade enganosa.

terça-feira, 4 de novembro de 2003

Post parvo-erótico

Post destinado apenas a satisfazer a franja de leitores tarados que clama por excitação. Os leitores normais podem regressar amanhã, que serão bem recebidos. Digo eu...


Agarrou-lhos. Gordos e pesados. Estavam cheios, mas por pouco tempo. Lavou-lhe o membro com jeitinho, o que não impediu a erecção rápida. Começou a mamada com violência, num vaivém rápido com forte sucção. Em três tempos sentiu que ele não ia resistir mais e tirou-o da boca, que ela não era dessas de engolir, mesmo quando lhe diziam que lhe fazia crescer as mamas. O jacto saiu forte, da varanda – o seu local favorito para as mamadas, à vista dos vizinhos – para aterrar na esplanada da Pastelaria Girassol, 7 andares mais abaixo.

Sentia-se frustrada por nunca ter enriquecido um café pingado ou mesmo um galão, com a sua contribuição leitosa, vinda do céu. Já tinha acertado em 2 mesas e mesmo numa torrada com manteiga, além de acertar no João, o empregado da esplanada.

Quando acertou no João, a coisa deu para o torto. Este, que já a tinha topado e andava doido por uma chupadela, convenceu-a a ceder, para ele não armar escândalo em plena pastelaria. Perdido de excitação, subiu com ela no elevador, mas não se conteve à passagem entre o 5º e o 6º andar com uma ejaculação precoce. Chegados ao 7º, com a mancha nas calças já visível, ele carregou no zero, e disse pesaroso: - Se calhar outro dia, sabes, tenho os croissants no forno.

segunda-feira, 3 de novembro de 2003

E o calhau até escorre...

Caros leitores,

Lamento informar que estamos na merda. Sim. É isso mesmo. Estamos na merda! Eu e os meus colegas que comigo aqui trabalham estamos na merda.

Nesta altura, pensam os leitores: "aqui está mais um gajo amargurado com a conjuntura económica e com o desemprego"; ou: "houve uma gaja que chateou este tipo até aos limites"; ou ainda: "a culpa é do governo e o pior é que a oposição se anda a cagar"...

NÃAAOOOOOO!!!! NÃO É NADA DISSO!!!! O problema não é a conjuntura ou o desemprego, nem o comportamento das gajas, nem o governo, nem a oposição... o problema que me deixa a mim e aos meus colegas na merda é a merda que sai debaixo da retrete da casa de banho dos homens quando se puxa o autoclismo, aqui no meu local de trabalho habitual dos últimos meses, numa empresa situada a 7 kms do novo estádio das Antas (porque terei tido esta associação de ideias justamente quando falava de assuntos de merda?).

Passo a explicar começando pelo almoço. Imaginem uma boa dose de carne cozida acompanhada por grão, arroz, batatas e alguns vegetais. Antes, emborca-se uma tigela de sopa para preparar o estômago. Acompanha-se toda a refeição com cerveja preta de pressão. Há ainda espaço para uma saladinha que seria completamente saudável se não fossem os molhos que a acompanham. Quase no final, a sobremesa. No final, o inevitável café.

Depois de almoço, há que voltar ao trabalho. Homem que é homem senta-se no seu local de trabalho, olha os papéis em seu redor, acede ao site da Bola on-line, passa uma vista de olhos no e-mail e, precisamente nessa altura, decide que a tarde não deve continuar sem antes aliviar a imensa pressão que o estômago exerce sobre o intestino. Resolve então ir cagar.

Arreado o calhau, o indivíduo tem que tomar a decisão mais importante da tarde: ir-se embora e deixar a merda a flutuar na sanita, saindo de fininho do WC na esperança que ninguém se aperceba quem foi o último que passou por lá, ou, puxar o autoclismo e correr o risco de ficar atolhado em merda. Na grande maioria das vezes, traído por um reflexo adquirido, o indivíduo cagador opta pela segunda opção. É nessa altura que, dia após dia, a merda acontece. Sem perdão. A água que entra na sanita proveniente do autoclismo sai imediatamente pela base inferior da sanita, junto ao chão, trazendo com ela todos os resíduos merdosos que segundos antes tinham sido depositados pelo cagador. Forma-se então um lago bóstico que rapidamente se espalha até à divisão adjacente onde está situado o lavatório e que se situa apenas a uma porta de distância do corredor que serve de acesso às salas de trabalho.

A sanita já foi reparada vezes sem conta por especialistas de merda que não conseguiram, até hoje, evitar que estas inundações merdosas continuassem a acontecer com uma regularidade impressionante.

Perante este cenário merdoso, vieram-me à memória alguns poemas que em tempos li num lendário livro designado por “Guardador de Retretes” que compilava textos escritos nas portas de retretes de todo o país. Aqui vai um cheirinho…

- A propósito da importância de existir sempre papel nas casas de banho: “Quem aqui vier cagar, não se esqueça do papel, não faça do cu tinteiro, nem dos dedos um pincel”;

- Princípio da igualdade na retrete entre fortes e fracos: “Neste local solitário, onde a vaidade se apaga, todo o cobarde faz força, todo o valente se caga”;

- Aplicado aos fumadores que têm problemas com o chefe: “A cagar fiz um cigarro, a cagar o acendi, a cagar fumei-o todo, a fumar caguei para ti”.

E assim acontece.

RRRTTCHUUUUUUUUU

\\Escarreta Verde

sábado, 1 de novembro de 2003

A nova caligrafia da Internet

As novas facilidades de comunicação via Internet trouxeram grandes mudanças à forma como falamos e escrevemos. As abreviaturas, a substituição de letras ("qu" por "k", "ss" por "x", etc.), a quase-eliminação da pontuação, tudo isso são constantes em e-mails, chats, e trocas de mensagens em geral.

Num esforço de propôr uma caligrafia coerente e unificada, o Quarto Segredo propõe uma série de regras comuns a utilizar na comunicação electrónica para facilitar a compreensão mútua e a troca de ideias.

1. Em primeiro lugar, por questão de simplificação, todos os "qu" deverão ser substituídos por "k". Da mesma forma, todos os "c" (excepto antes de "e" ou "i") serão também substituídos por "k".
2. Em segundo lugar, para simplifikar o duplo "s", todos os "ss" serão substituídos por "x". Por uma kestão de koerência, todos os restantes "s" serão também substituídos por "x", poupando-se assim uma letra;
3. Todox ox "e" ke extiverem ixoladox xerão xubxituídox por um "i" para evitar a má pronunciação da letra;
4. Ax cedilhax i ox axentox ortográfikox dexaparecerão porke xó provokam konfuxão (xendo ax cedilhax xubxtituidax por um "x");
5. Ja ke eliminamox ox "x", entao todox ox "c" antex de "i" ou "i" xerao tambem xubxtituidox por um "x";
6. Em todax ax palavrax ke xejam terminadax em "i" mudo, o "i" dexaparexera;
7. Todax ax palavrax kom trex ou maix xilabax xerao abreviadax. a abreviatura xera feita retirando vogaix aleatoriament a palavra;
8. Ax letrax maiuxklx i ox xinaix de pntxao xerao elminadx para xmplifkar a exkrta.

akrdto k x formox todox korentx no xeguimnt dextax regrax a knvvenxia elktrnika na intrnt xera muito maix xaudvl i hrmnioxa do k ate agora, evtndo-x as knfxoex i mal-entnddox gnralizdox.

sexta-feira, 31 de outubro de 2003

O 3º "mensário" da Fátima

O Quarto Segredo fez 3 meses, com números de que nos orgulhamos, até por nunca termos publicitado ou linkado o site com grande fervor – mais de 4000 visitas e 44 países.

O nonsense e a vida diária com pitadas de humor tornaram-se nas linhas editoriais do blog. Pessoalmente, estou contente com o resultado. Tem dado gozo, e está a valer a pena ver que outras pessoas também gostam.

É bem verdade que a maior parte das visitas apareceu pelos motivos errados – este blog não é um site porno como metade dos visitantes deduziu. Não há fotos de nenhuma Fátima. E muito menos um site religioso. No entanto, sinto que defraudámos todos esses visitantes de membro eréctil (inclui os religiosos...) pelo que me disponho a escrever uns posts parvo-eróticos. Em breve…

quarta-feira, 29 de outubro de 2003

Táxi

Chamei um táxi. Desço as escadas aparentando algum nervosismo, pois faltavam 40 minutos para o meu vôo. O taxista, com ares de membro efectivo da Al-Qaeda com um forte grau de miopia misturado com estrabismo, cedo compreendeu o meu ar inconfortável. Como qualquer membro da Al-Qaeda faria, resolveu ajudar-me e garantir que eu apanhava o meu avião, tentando simultaneamente bater o seu record pessoal no trajecto Sta. Apolónia – Aeroporto.

Arranca a marcha. Primeira, segunda, terceira, segunda e apita à senhora que se apresenta pelo lado direito. Corta bruscamente tal qual Schumacher na chicane de Monza, razando o polícia sinaleiro que se encontra ao pé da ponte. Este, depois do susto, volta a entrar na tasca para tomar mais uma dose da sua "pomada" matinal.

A recta até à zona dos camiões TIR é feita num ápice, sendo que estes são ultrapassados com carros na faixa contrária (irmãos Wachowski abram os olhos… este taxista pitosga ficava a matar no Matrix… literalmente a matar). As rotundas são feitas em slide, com apitadelas para os condutores rapidamente apelidados de "ceguetas" (vindo da boca deste taxista em particular foi delirante) e "desrespeitadores de quem trabalha".

Os semáforos foram alegadamente passados no amarelo mas eu cá não vi outra côr que não o vermelho – "Oh Dr., isto do amarelo é para a gente acelerar que já temos vermelhos suficientes a parar o país" (não sei se ele se referiu ao Partido Comunista se ao Benfica. No que toca a taxistas nunca sabemos bem a qual a sua onda). A rotunda do relógio lembrou-me a saudosa parabólica do autódromo do estoril, tal qual saída para a recta da meta, e a entrada do aeroporto pareceu uma entrada na box para mudar de pneus.

Paguei ao senhor e apanhei o meu vôo a horas. A cara de orgulho dele mereceu a gorjeta.

segunda-feira, 27 de outubro de 2003

Barba e cabelo, por favor

Que saudades dos antigos barbeiros de aldeia. Daqueles que a malta entra e tem garantidamente três assuntos para falar – Bola, miúdas e carros.

Antigamente é que era. A rapaziada chegava e escolhia uma revista de carros enquanto criticava os últimos comentários do treinador adjunto do Marítimo. O barbeiro, profissional já batido na arte corte, nem precisa de olhar para o que está a fazer. Reclama do jogo de Domingo, acha que os carros de hoje são umas latas que não duram nada mas que um BMW é que era, e remata que para uma bela queca não há nada como tentar em África e que sabe muito bem pois no ultramar era como se safavam. Calamo-nos e interiorizamos os conselhos, enquanto folheamos as páginas do record de há 3 meses atrás. Chegam outros clientes, adeptos fervorosos de clubes adversários, que o provocam com os resultados da liga, mas a discussão atenua quando passam as pernas da esteticista do estabelecimento 2 portas abaixo.

Chega a nossa vez. Orgulhosamente pedimos "o costume", e mesmo que ele não se lembre do que raios é o costume, também não dá parte fraca… faz o corte tradicional (um dos quatro cortes que sabe fazer) e já está. Entra um jovem que pede "um corte ligeiro, só aparar pois é para deixar crescer" e a camaradagem reina ao o som das engrenagens da máquina de cortar a roçarem no pente dois. "Pronto, até estás mais leve. Assim é que é, à homem".

Hoje em dia arriscamo-nos a cortar o cabelo num centro comercial, sentados virados para a montra que dá para as caixas do supermercado, e com as mãos de uma bichona a roçarem-nos o couro cabeludo, não se cansando de repetir que o que ficava a matar era umas madeixas bem loucas. E que já agora devíamos mudar de shampô para um menos abrasivo, que respeite o couro cabeludo como um todo (ainda hoje estou para perceber o que é que os gajos querem dizer com isto). À mínima tentativa de conversa de macho (estilo, "aquela sua colega é bem jeitosa"), começa com um rol de choradilhos sobre a sua vida que está uma miséria, e que tem muito talento mas ninguém o compreende, e os doutores têm a mania que sabem muito mas não sabem nada.

Irra, deviam incluir no almanque Borda d’Água um compêndio de moradas de barbeiros à moda antiga, para salvar os incautos citadinos. Rapaziada, mandem as moradas de barbeiros que conhecem para colocarmos nós próprios essa lista aqui na Fátima.

sexta-feira, 24 de outubro de 2003

Não tenho por hábito citar outros blogs, para não dizermos todos o mesmo, mas esta entrada no Abrupto é irresistível para mim, retratando a vida parlamentar complexa de um Eurodeputado e as decisões importantes que são tomadas no grandioso hemicíclo do Parlamento Europeu:

Numa reunião sobre o multilinguismo e o multiculturalismo, duas palavras quentes em vésperas do alargamento, discutiu-se a sinalética como alternativa a ter cartazes do tamanho de uma parede com inscrições em duas dezenas de línguas para tudo. Houve, no entanto, reservas quanto à sinalética para identificar os quartos de banho das senhoras e dos cavalheiros porque a distinção saias-calças parece ser entendida como confusa e sexista. Como acho que não me elegeram para discutir a sinalética dos quartos de banho, propus a representação estilizada, em nome dos bons costumes, dos órgãos sexuais masculinos e femininos para identificar as portas. Sem sucesso. Parece que também não é inequívoco.

É assim mesmo amigo Pacheco!

Uma dúvida - os desenhos estilizados dos órgãos sexuais saíram do seu próprio punho?

quinta-feira, 23 de outubro de 2003

Cromos do trabalho

Na senda do belga das meias larilas e de relógio "capitão Haddock", lembro-me de uma figura marcante com quem trabalhei e de que divulgo apenas as 4 primeiras letras do sobrenome, pondo um x nas 3 restantes: Carpxxx.

Ora o amigo Carpxxx tresandava. Mas tresandava de tal maneira que a sua presença era detectada a 3 metros, pelo odor. Sem qualquer exagero!! A menos de 2 metros era insuportável.
As suas camisas - conheci-lhe umas 5 camisas ao longo de 4 meses - serviam para toda a semana. À 6ª feira já se notava alguma rigidez no tecido, tal era o acumulado de sovaqueira e suor em geral que o homem destilava durante toda a semana.

Quando atravessava o corredor, deixava uma assinatura de odor tão forte que era possível saber, 10 a 15 minutos depois, que Carpxxx lá tinha passado.

Sei que parecem exageros vindos de quem costuma escrever com doses fortes de nonsense. Não, meus amigos. Não há ponta de nonsense nem de exagero - a realidade era dura.

quarta-feira, 22 de outubro de 2003

A importância de bem vestir

Novo colega no trabalho. Para funções extremamente delicadas, era imperativo que as primeiras impressões causadas por este novo colega fossem das melhores, deixando antever confiança, coerência, um alto grau de autonomia, uma boa dose de "desenrascanço" e um carisma ao seu mais alto nível.

Eis que ele chega. De fato preto completo, com um colete preto, uma camisa bordeaux escura e uma gravata ainda mais escura (estamos no norte da europa, onde algo fora do normal (fato cinzento escuro com camisa azul clara e gravata azul escura) é permitido). Até agora tudo bem, a impressão não foi das piores. Ao esticar o braço, deparamo-nos com um relógio com a cara do Capitão Hadock (o companheiro das aventuras de Tintim). Bem, como o colega é belga achamos que tem uma devoção fanática por Hergé, pelo que o facto até passa por pitoresco.

Convidamo-lo a sentar, e no momento em que o faz, as suas calças sobem uma mão e meia acima do nível dos tornozelos e exibem as meias brancas do Snoopy.

Quer-se dizer... meia branca com fato preto (vulgo "pé de gesso") já é mau, mas com o snoopy ainda é pior. Como é que é possível levar este gajo a sério? Se ainda fosse uma das personagens do famoso Milo Manara (famoso autor de BD erótica), talvez ainda passasse mas, com o Snoopy??

Hoje as meias são do Garfield, mas o tom cinzento já as fazem passar despercebidas. Amanhã, quem sabe, talvez traga umas meias do Astérix (o que duvido, pois fiquei a saber que os belgas não vão lá muito com a cara do Uderzo) ou do Mickey. Eu que sou fã do sistema de comprar os 20 pares de meia pretas (como referido pelo Blitzkrieg num post anterior) devido ao reduzido esforço a emparceirá-las, minimizando ainda a perda quando uma meia desaparece, nem quero imaginar o pesadelo semanal deste colega, tentando emparceirar o Snoopy com Garfield e o Bart Simpson com o Donald, criando o maior forrobódó jamais visto no universo da BD.

segunda-feira, 20 de outubro de 2003

a verdade sobre as escutas

A propósito do último post aqui da Fátima, pego também eu no tema das polémicas declarações que terão sido feitas por Ferro Rodrigues ao telemóvel, em que o líder do PS terá dito "Estou-me cagando para o segredo de justiça".

Após profundas investigações, a Fátima está em condições de afirmar que afinal o que se passou não foi exactamente o que a Comunicação Social noticiou. Através dos nossos contactos com o DILDO (Departamento de Investigação a Líderes e Dirigentes Organizativos, responsável pelas escutas telefónicas), ficámos a saber que a imprensa recebeu apenas a primeira versão do Relatório da Polícia. De facto, numa segunda audição às escutas, o DILDO concluiu que em vez de «estou-me cagando para o segredo de justiça!», Ferro Rodrigues teria dito «estou-me babando por uma sandes de linguiça!».

Ainda assim, não terá sido essa a versão final do relatório - após algumas dúvidas do director do DILDO (que terá afirmado "o DILDO tem de ir a fundo nas coisas! a fundo e à bruta se for preciso!") foi feita nova análise às gravações que concluiu que aquilo que Ferro Rodrigues disse foi na realidade «estou adorando o Quarto Segredo, chiça!!»...

Caganças...

Firme e hirto como uma barra, Ferro disse: "Estou-me cagando para o segredo de Justiça".

Ora, o problema está em que um homem que fala ao telefone sobre Justiça enquanto está sentado na sanita não pode fazer esforços para controlar o que lhe sai da boca. Ele bem alertou que estava a fazer outras coisas... mas saiu-se mal.

Vá que ele dissesse: "Estou-me mijando para o segredo de Justiça". Podia estar junto a um poste, a uma árvore, ou mesmo - quiçá - num urinol. Sempre era de Homem.

Se ao menos dissesse: "Estou-me defecando...", ou na vertente médico de província: "Estou a obrar..." mas não! Foi logo à bruta - cagando! Espero que lhe tenham doido as hemorróidas.

Resta a Ferro um cargo de limpa-retretes?! Não é homem para isso, evidenciando no seu discurso que está do lado de quem as suja. Na verdade, demonstra ser uma pessoa humana - sempre imaginei que as personalidades públicas, como políticos e top models não se peidassem, não cagassem, e mijassem apenas o estritamente necessário. Obrigado por humanizares a profissão, Ferro.

Se entretanto já lavaste as mãos, vai daqui um abraço.

quinta-feira, 16 de outubro de 2003

Morre, spam d'um cabrão, morre!

Quantos de nós não têm as caixas de correio cheias de lixo indesejado? Quantos de nós não as querem limpas de mensagens inúteis? Quantos de nós conseguiram?

Os que respoderam "Eu consegui... tu não?!" façam favor de dizer como nos comments deste post.

Estou farto de gajos a quererem vender-me viagra, seguros baratos, medicamentos baratos, tractores, operações de esticanço do pénis, crédito bancário a boas taxas, e a tentarem convencer-me que "a Nancy me viu ontem na rua e quer encontrar-se comigo".

As Nancy deste mundo que metam o spam delas por onde doi mais.

Por momentos pensei que havia uma ligação nisto tudo - uma forte teoria da conspiração... alquém a querer dar-me crédito bancário, para eu pagar a operação de esticanço do pénis, em relação à qual faria um seguro, e ainda precisaria de uns trocos para comprar viagra porque com o novo tamanho XXL do mangalho, aquilo só se levantaria com viagra ou com vento de feição.

Concluí então que seria o sector bancário quem estaria por detrás do spam deste mundo. Até que me lembrei - e os tractores? Também me tentaram vender tractores! Pois. Não devem ter sido os bancos...

quarta-feira, 15 de outubro de 2003

A vida de Jesus, o Político

Parte IV e última – O marketing da ressurreição

(ver Parte III – Eleições em Jerusalém, 2 posts abaixo)

Jesus está morto. A agonia da cruz foi breve e o corpo foi transportado para a câmara tumular. Mesmo perdendo as eleições, foi notícia de primeira pedra no “Jerusalém Hoje”.

Os apóstolos reúnem de emergência. Os cargos de vereação em Jerusalém esfumaram-se e há que definir o futuro.
Concluem rapidamente que, com o líder morto, sobra-lhes o mito. Resta fazer o melhor aproveitamento possível da marca “Jesus”. Depois de alargada discussão decidem que a imagem mais marcante para venda será a de Jesus na cruz. Têm apenas um problema – precisam de fazer uma imagem do dito e nenhum deles sabe desenhar. Num ápice, surge o plano…

Deslocam-se à câmara tumular, para embrulhar o corpo em 2 lençóis e, através de uma técnica entretanto perdida, passar a imagem de Cristo para os lençóis. Seria o suficiente para escultores e pintores produzirem as imagens pretendidas. Encontram o corpo com um ar sereno e repousado, apesar do trauma da crucificação.

- E uma escanhoada? – pergunta João.
- Pá, não há tempo, vai com barba e tudo – diz Simão. Passa os lençóis.
- Os lençóis! – repete o apóstolo Pedro - ninguém sabe dos lençóis?

Tinham-se esquecido! Tanto esforço em risco! De repente, todos sorriem e olham para o turbante de Simão…

- Pá, esqueçam. É um turbante novinho. 4 metros de linho puro, com alfinete de madre-pérola para não se desenrolar na cabeça. O meu turbante não vai servir de sudário!

Cercam Simão e tiram-lhe o turbante da cabeça. João ainda perde 2 dentes depois de sugerir que deviam catar Simão para garantir que o turbante não tinha piolhos que pudessem estragar a imagem.

Embrulham Jesus e fogem com o corpo. Deixam uma mensagem, para enganar a família do morto – “Meus amigos, ressuscitei, tive sede, e saí para beber água. Não sei se volto…”

O apóstolo Pedro foi eleito presidente do partido – o chamado Papa – mas nunca conseguiu resultados eleitorais dignos de referência. As imagens de Jesus na cruz foram um êxito duradouro, vendendo-se que nem pãezinhos quentes. Sobre as imagens, e até ao fim da sua vida, João repetiu – devíamos ter-lhe feito a barba…

segunda-feira, 13 de outubro de 2003

A vida de Jesus, o Político

Parte III – eleições em Jerusalém

(ver Parte II – a campanha eleitoral, 2 posts abaixo)


Os apóstolos fazem uma sondagem e descobrem o erro estratégico da campanha – o povo do campo não vem votar para a Câmara de Jerusalém e Jesus não fez campanha na cidade. Está arrumado, com menos de 5% de intenções de voto.

Em desespero, fala com Pilatos para cancelar as eleições, porque sabe que quem perder tem como destino o espetanço numa cruz. Num acto humilhante, Jesus chora baba e ranho às mãos de Pilatos, implorando. Pilatos, com as mãos cheias de nhanha de Jesus, diz que vai lavar as mãos e pisga-se, num acto que ficou para a História.

Jesus ainda tenta fugir e por uma noite anda desaparecido. A guarda de Pilatos procura-o, e encontra Judas. Este, por 30 dinheiros, denuncia Jesus, vingando-se da dívida da fase de campanha. O apóstolo Simão assiste escondido, e assim que a guarda se vai embora, dá uma traulitada em Judas e enforca-o. Sem indícios, a polícia local encerrou o caso de Judas como suicídio.

Chega o dia das eleições. A populaça junta-se na praça e vota de braços no ar, aos urros. Face o método de votação, Jesus é hoje considerado como o primeiro comunista. Na confusão geral, Barrabás é dado como eleito, e Jesus acaba na cruz. Um desastre de estratégia de campanha deitou por terra as expectativas construídas ao longo de anos.

Próximo post, que vai ser realmente o último: a ressurreição!

sexta-feira, 10 de outubro de 2003

E o oscar vai para...

Ah, eis que se confirmou o que já era dado como certo há algum tempo: Arnold Schwarzenegger vai para governador da California.

A minha ideia com esta mensagem não é comentar esta vitória, mas sim o que os portugueses podem aprender com todo este processo. Temos que admitir, os americanos são estranhos, metem estrelas de cinema no poder, e ainda assim são podres de ricos, enquanto que aqui a rapaziada portuga não tem dinheiro sequer para pagar mais helicópteros para levar a passear todas as funcionárias das cantinas das escolas deste nosso país.

Bom, mas lamentações à parte, acho que a malta devia aprender com os americanos e mudar o nosso sistema. Mas como não estou a ver nenhum actor português a dar em político, acho que mais vale converter os nossos políticos em grandes estrelas de Hollywood. Desta forma, sugiro o nosso Durão Barroso para a próxima película "Conan Barroso, o herói da Ciméria", Jorge Sampaio em "Sampabe, um porquinho na cidade" e Santana Lopes em "Signs" (e agarrando num post anterior, alguém iria traduzir este título em português como "Sinais no Marquês. O túnel para breve porque a Câmara trabalha para si").

E mais, sugiro ainda o Guterres para a película "El Mariachi" (o gajo é bom a dar música), sugiro o Carlos Carvalhas para um qualquer filme francês (a sério, um qualquer, o fulano enquadra-se bem) e a nossa caríssima Odete "Sá" no "Fantasma da Ópera" (ainda estou indeciso se será para o papel de Erik ou da Christine Daée). Já agora, que tal o Marcelo Rebelo de Sousa e o Marques Mendes para o "Gémeos"?

quinta-feira, 9 de outubro de 2003

A vida de Jesus o Político (Parte II)

Parte II – a campanha eleitoral

(ver Parte I – O nascimento, 3 posts abaixo)

Jesus cresceu na carpintaria do pai José, mas o bichinho da política cresceu com ele.

Antes dos 30 anos decide concorrer à Câmara de Jerusalém e inicia uma campanha eleitoral pela Galileia. Reúne uma comissão eleitoral, a que chama apóstolos e juntos fazem a ronda das feiras e terriolas da região, para conquistar o eleitorado rural.

Ficou famoso o comício do Monte, conhecido por sermão do monte. Num estado de enbriaguês eleitoral, Jesus terá mesmo feito um sermão aos peixes…

No entanto, a campanha começa a perder ritmo, e com as sondagem desfavoráveis, Jesus reúne os apóstolos para obter ideias de campanha. Judas lembra-se de um primo seu, chamado Lázaro, que tinha um grande número de homem-estátua. Rapidamente se propõe que Lázaro passe por morto durante 2 dias e Jesus simula um milagre de grande efeito - a ressurreição de Lázaro. A campanha retoma fôlego!
Entretanto, Judas paga a Lázaro os 30 dinheiros do contrato, mas Jesus alega falta de fundos de campanha e não paga a Judas. Judas morde-se de raiva e promete vingança…
Preparam outro milagre, patrocinado pela Padaria Pão Santo, em que simularam a multiplicação dos pães – a populaça aplaudiu e passou a seguir Jesus na esperança de mais pão à borla, que nunca veio…

Jesus chega às portas de Jerusalém, triunfante, com uma grande base de apoio e inscreve-se para disputar a primeira volta contra Barrabás.

Não percam o próximo e último post da série: as eleições em Jerusalém!

quarta-feira, 8 de outubro de 2003

Escritos de casa de banho

Na porta, do lado de dentro: É favor sincronizar a descarga de gases com a descarga do autoclismo para minimizar a poluição sonora

segunda-feira, 6 de outubro de 2003

A vida sexual das galinhas

No interior do país - o país rural, o verdadeiro, o genuíno, o puro - descobri que há quem encomende, no talho ou mercearia local, galinhas virgens, por achar que o sabor da carne é melhor.

Isso mesmo - galinhas virgens.

Sobejamente conhecido o debate sobre o porco capado vs. não capado, eis que surge agora um novo expoente de discussão gastronómica - a penetração afecta o sabor da galinha? E como?!

Aguardo comments que expliquem isto ou que tragam à baila outras picuinhices gastronómicas similares.

sexta-feira, 3 de outubro de 2003

A vida de Jesus, o Político (parte I)

Uma história biblicamente nonsense!

Parte I - O nascimento

Maria estava grávida. Para José, o carpinteiro, tudo veio como uma surpresa, já que não lhe dava uma trancada desde há um ano.

- Então quem foi?
- O Espírito Santo.
- Quem?! O José Espírito Santo, o gajo do Banco da Palestina?
- Não, não – disse Maria trémula – um espírito mesmo, do Céu.
- Mau Maria mau Maria, com a verdade m’enganas!

Ela bem sabia que o encornara. O José Espírito Santo tinha sido a sua paixão desde criança. Filho de famílias ilustres (que viriam a emigrar para Portugal, onde abririam um Banco de renome…), era um garanhão, que numa tarde de aventuras, depois do Banco fechar às 3, a engravidou.

José, o carpinteiro, teve dificuldade em acreditar na história do espírito do Céu mas lá engoliu. Antes isso do que ficar com fama de cornudo. Enfim, era corno, mas para os vizinhos sempre era um corno celestial…

Quando Jesus nasceu, vieram 3 reis magos com prendas.

Belchior deu ouro e disse: Mas que linda criança!
Baltazar deu mirra e disse: Mas que criatura adorável!
Gaspar deu incenso e disse: Mas que pivo. Mudem-lhe a fralda ou queimem já o incenso!
E José, o carpinteiro, disse: Mas que raio… é a cara chapada do Zé do Banco! Oh Maria…

quinta-feira, 2 de outubro de 2003

Ratas Nuas

Queria louvar o nosso leitor que chegou à Fátima graças a uma busca no google por "ratas nuas" . Deste modo, e a título de boas vindas, recomendo a este leitor as seguintes publicações:

- Hamstler -versão rata da revista "Hustler";
- Playmouse - Hugh Heffner no seu melhor, a esplorar a sensualidade das mais belas ratazanas. Nas páginas centrais deste número é possível encontrar o poster da Rata Minnie em todo o seu explendor sexual numa pose bem quente;
- Disney Especial - Páginas e páginas de quadradinhos a exibirem Mickey em tronco nu e Minnie de mini-saia, a revelar as suas excitantes cuecas de rendas;
- "Bestialismo entre ratos e gatos" - Um livro de contos eróticos, escrito por Jerry, o rato da famosa dupla Tom & Jerry, que revela aqui a louca vida dos bastidores dos desenhos animados.

quarta-feira, 1 de outubro de 2003

Adeus, ó terra...

Muitos de nós já passaram pela experiência de estar fora do seu país natal por algum período de tempo. Muita gente que sai regularmente de Portugal por motivos de estudo, emprego ou simplesmente por fuga à polícia judiciária, sabe que há coisas às quais se dá um valor especial e que até então nunca se tinha apercebido delas. Vejamos algumas coisas pelas quais podemos passar:

- Acharmos que a RTPi é um canal de culto, no qual mamamos todas as telenovelas, debates e concursos deslavados. Quando comentamos com os nossos amigos o desenrolar da novela das oito, é normal que nos comecem a olhar de um modo estranho;
- Acharmos que somos os perfeitos connoisseurs de vinhaça, mesmo que só estejamos habituados a beber a pinga da Cooperativa Agrícola de Pedralhos. Qualquer vinho Francês de topo é alvo de duras críticas, ou então marcha de um golo só que macho que é macho não anda cá a cheirar e a abanar o nectar dos deuses;
- Conhecermos de cor os aviões da TAP e as suas tripulações. Frequentemente sentimos uma vontade quase irrepreensível de esbofetearmos o comandante com um arenque seco, devido à péssima prestação na viragem efectuada por cima do aeroporto da Portela;
- Conhecermos de cor e salteado todas as mensagens erro que a nossa rede móvel nacional pode dar quando estamos a operar a partir do estrangeiro. Tipicamente estes erros ocorrem quando estamos à rasca para reservar o bilhete para o próximo vôo;
- Orgulharmo-nos por conseguir colocar dentro de uma mala minúscula toda a roupa que precisamos mais os objectos básicos para a nossa vida (CDs, livros, revistas, mini-garrafinhas de martini surrupiadas dos mini-bares dos hotéis);
- Manter 40 minutos como record pessoal, para o tempo de saída de casa antes do vôo;
- Chegarmos a Portugal e acharmos que a maneira que os nossos taxistas conduzem é que é a correcta;
- Experimentarmos os pratos rafinés do país estrangeiro, acharmos que sabem a bosta de cágado marinada com minhocas gratinadas, e choramos pelo bitoque da tasca ao pé de casa que tantas vezes dissemos mal;
- Habituarmo-nos aos costumes estrangeiros. Por exemplo, as saudações das Suiças são 3 beijinhos (na face, pois claro) e a das inglesas é um passou-bem. Não confundam os processos de saudação, correndo o risco de serem chamados de panascas pelas Suiças e de tarados pelas inglesas…. (hummmmm… neste último caso se calhar não se irão arrepender do engano).

terça-feira, 30 de setembro de 2003

A televisão nos EUA

Enquanto deambulava pelos textos do Alma de Pássaro, eis que deparei com a descrição de um sucesso televisivo norte-americano em que os concorrentes têm de comer:

Fear Factor Spaghetti: um delicioso prato cheio de minhocas e sangue coagulado.
Útero de Porco: deliciosa parte do porco, tom rosa, a fazer lembrar couve-flor.
Pig Rectum: mais uma deliciosa parte do porco, recto e ânus constituirão certamente um dos maiores prazeres gastronómicos dos concorrentes deste programa.

Senhores directores de antena da RTP, SIC e TVI, oiçam-me - eu próprio consigo acrescentar alguns pratos de gourmet, já que a nossa televisão nunca foi além de sugerir batido de atum num anúncio:

Barata frita: 10 baratas grandes, fritas, acompanhadas de puree d'escargot em nanha verde
Cérebro de cão: o cérebro, servido no crânio do animal rafeiro, com pão torrado, em estilo sapateira...
Bolas de boi: Testículos de boi, cozidos com louro, e abertos ao meio, com molho bechamel a escorrer

E chega para os primeiros episódios... se é degradação que querem, sigam os bons exemplos...

segunda-feira, 29 de setembro de 2003

Vamos às compras

Agarrando na experiência descrita pelo nosso pastorinho Blitzkrieg, queria partilhar aqui outra grande experiência também ela traumática, vivida pelos homens portugueses que se aventuram pelas lojas de roupas, arrastados pelos instintos experimentalistas das mulheres. E porque é que não é espírito consumista, perguntam vocês? Porque na maioria das vezes elas nem compram nada, apenas experimentam e reexperimentam torturando-nos até confessarmos. Eis os vários momentos vividos :

- Entrar na loja – Ela entra, fica com olhos eufóricos e numa questão de 3 segundos tem o percurso delineado. O homem entra, tira as medidas às empregadas, e quando volta a olhar para a mulher já não a encontra.

- A escolha – Quando o homem dá com a mulher, já ela tem nas mãos 3 pares de calças, 4 tops de cores diversas, 2 camisolas e mais 3 pedaços de tecido ainda não identificados. Ela insiste em conduzir o homem a uma saia que alegadamente “era mesmo aquela que estava à procura" mas no caminho até lá ela recolhe mais um par de botas, um casaco e mais uma camisola para condizer com o dito casaco. A saia é ignorada, pois aparentemente o casaco é de morrer e era mesmo aquele casaco que andava à procura.

- A prova – O primeiro processo da prova passa por convencer a senhora que está a controlar as peças que entram e saem dos provadores. Aparentemente o limite são seis peças mas elas acham que as 15 que levam são quase a mesma coisa, por isso não deviam contar. Acabam por ficar os homens cá fora a segurar a roupa em excesso, tal qual cómoda D. Maria II. Ainda cá fora é notória a camaradagem vivida pelo grupo de homens que espera pelas respectivas. A solidariedade vivida é notória, antevendo-se por vezes manifestações silenciosas de fugas para a cervejaria mais próxima. O peso da opressão anula este espírito revolucionário. Elas saem com o primeiro set de roupa vestido e fazem a fatídica pergunta: “Então, o que é que achas?”. Qualquer que seja a resposta dada pode conduzir a uma pequena batalha. Antes de respondermos olhamos para os nossos companheiros, que mostram o ar de compaixão como quem diz “Pá, ‘tás lixado. As calças fazem-lhe o rabo gordo. Força rapaz, vai em frente, acredita.” . Respondemos a medo: “Fica bem, muito gira". Ela como gosta das calças mas também viu que lhe ficavam mal, desata num contra-ataque a dizer que nem olhámos, que é sempre a mesma coisa, para ter atenção à cinta, para reparar como ficam demasiado justas nas nádegas. Somos forçados a admitir que ela tem razão, o que leva para o confronto da já sobejamente conhecida conversa do “Mas tu achas-me gorda ???"

A cena repete-se por mais 30 minutos até ela se fartar e não comprar nada. Não compra nada porque gostava das calças que experimentou primeiro mas foram concebidas a pensar na versão Norueguesa da Olívia Palito, logo o sentimento de injustiça demove qualquer intenção de compra.

À saída, numa dissimulada tentativa de ir à FNAC, o homem recebe a resposta “Outra vez, que seca, vais lá sempre e só compras um cd ou um livro… que chatice"

sábado, 27 de setembro de 2003

Proibidas as palmas na Igreja

E mais nada! E foi assim que o Vaticano decidiu. Tal como decidiu que iria proibir as meninas de participar no coro.

Ora aqui o Blitzkrieg não pode deixar de mostrar a sua indignação! Mais proibições são necessárias e urgentes:

- As beatas têm de deixar de se peidarem na missa, para não degradarem a talha dourada e as pinturas oitocentistas das Igrejas.
- Os padres têm de deixar de usar saias e vestidos. Para quem nunca reparou, aquilo a que chamam paramento é um vestido. Ainda por cima piroso, com debruados a ouro...
- As caixas de esmolas com lâmpadas a fingirem de velinhas têm de passar a aceitar trocos. Num casamento na Nazaré depositei 1 cêntimo na máquina e aquela porcaria não acendeu nem uma vela/lâmpada! Ora a Nazaré merece melhor!
- Os pedintes à entrada têm de ser corridos a tiro de caçadeira pelo padre antes da missa.
- Um gajo ateu empedernido com eu devia poder provar as óstias. Dizem que é pior que uma bolacha maria com 5 anos, mas sem bolor. Pá, mas eu queria provar, pronto.
- Há uma igreja em Montemor o Novo que foi convertida em casa de alterne. E agora? Quem vai fiscalizar que não se batem palmas às Ucranianas? Sr. Bispo de Évora, dê um passo em frente e vá lá ver isso, homem! Gajas sim, agora palmas é que não!

Entretanto, li os comentários a esta notícia no site do Expresso. Destaco uma, por se inserir no espírito nonsense aqui do Quarto Segredo:

Explicações de "uns deuses"

Uma vez, estando em amena cavaqueira com anarquistas empedernidos numa dessas tertúlis de café já desaparecidas, foi-me "revelada" uma definição de deus na qual nunca mais deixei de poder reflectir.

Dizia um dos interlocutores:

" Eu não acredito eu deuses. Mas, se, de facto, existir um deus que criou o Homem à sua imagem, poderei sempre dizer que deus é gordo, cheira mal da boca e leva no cú.".

Pois...

quarta-feira, 24 de setembro de 2003

Portugueses, os Herbert Richards dos títulos de filmes de cinema

Tentei explicar a um inglês o filme que tinha visto no cinema no passado fim de semana e que tinha gostado bastante.

Fui ver portanto o “Inocente ou culpado“, onde contamos com um enredo bastante bom e com uma excelente interpretação do Kevin Spacey. Quando mencionei o nome do filme em inglês (para mim, e logicamente, seria qualquer coisa como “Guilty or innocent”) o meu colega não reconheceu o título. Troquei a ordem para “Innocent or guilty“ (os inlgeses são muito picuínhas com a construção das frases) e nada. Arrisquei ainda mais um ou outro nome, mas o meu colega manteve sempre a expressão de “Jolly rogers, God save the Queen, the Portuguese went mad for certain“. Desesperado, fiz uma pesquisa na net e apurei que o nome original do filme é “The life of David Gale”, que, e se os meus parcos conhecimentos de inglês não me falham, não tem nada a ver com o “Inocente ou culpado”.

Mas até quando é que a malta vai achar que somos os Herbert Richards dos títulos dos filmes. Já os estou a imaginar: “The life of David Gale???? Ná, isto é um filme sobre um prisioneiro que aguarda pena de morte por um crime que diz que não cometeu quando todas as provas indicam que sim, vamos antes chamar-lhe “Um Casa-piano no Texas"";“ – Eh pá, não faças isso que ainda the constituem arguido. Chama-lhe antes “Inocente ou culpado“ que as pessoas percebem na mesma". Bom, mas como sei que isto é uma batalha perdida, e como se não os consegues vencer junta-te a eles, aqui ficam alguns filmes que ficaram esquecidos e cujos títulos deveriam ser ajustados o quanto antes:

Original – Batman
Ajustado – Palhaço nervoso, Morcego neurótico

Original – Papillon
Ajustado – Borboletas na Guerra

Original – La vita e bella
Ajustado – A Fantástica Vida no Campo de Concentração

Original – A fish called Wanda
Ajustado – O Bacalhau da Vanda

Original – The Matrix
Ajustado – A Função Pública Portuguesa

Original – Star Wars
Ajustado – Guerras de Hollywood

terça-feira, 23 de setembro de 2003

Lojas místicas

A experiência de entrar em lojas de velas e incenso são sempre muito parecidas e esotéricas.

No balcão à entrada está uma tipa vestida de preto, cabelo pintado de preto, as unhas de roxo, e um aspecto geral de bruxa iniciática. Normalmente a bruxa está muito ocupada, entre acender velas, queimar incenso e entrar em sintonia com mundos inferiores.

3 passos dentro da loja e sentimos a parede. De incenso. O cheiro é sempre tão denso que apetece cortar à catanada. A empregada não tem culpa do aspecto ganzado - respira aquilo o dia inteiro.

As prateleiras estão cheias de artigos inúteis made in China que fazem as delícias do kitsch, para além das velas em 800 formatos e cores diferentes. Evita-se com cuidado os penduricalhos musicais, que descem em cascata do tecto da loja, e tenta-se não partir os cristais empilhados pelos cantos. As gravuras em madeira partilham o espaço com animais falsos empalhados.

À minima pergunta, a bruxa da entrada leva 2 a 3 segundos a reagir. Como quem desliga a telepatia mental com a alma do coelho empalhado da 3ª prateleira. Os olhos, normalmente sublinhados a negro, reviram ligeiramente entre olhar para as velas acesas e para o cliente incómodo.

Quando se sai da loja, apesar de ser normalmente para a atmosfera fechada de um centro comercial, sente-se o ar fresco e leve das montanhas...

É uma experiência...

sábado, 20 de setembro de 2003

O pastor de Fátima (parte III e última)

Recomenda-se a leitura das partes I e II deste post, mais abaixo no blog.

Naquela manhã nevoenta os 3 pastorinhos encontraram Fátima no cimo da oliveira, iluminada pelo brilho ténue do sol nascente. O Sr. Padre, que acompanhara os pastorinhos, olhava de espanto e sugeriu às crianças que se fossem embora para casa.
Olhou de novo para a figura vestida de branco. Admirou-lhe as mamas e disse:

- Oh Fátima, desce lá daí de cima da árvore.
- Sim, Sr. Padre. Oh Sr. Padre, olhe que ainda não me pagou a última que demos...

O Padre olhou para ela, lembrou-se da carteira perdida e disse-lhe que não se preocupasse - iria pagar.

- Estou com ideias rapariga. Irei fazer aqui um santuário com o teu nome.
- Um santuário? Para quê Sr. Padre? Um bordel não dá mais dinheiro?
- NÃO RAMEIRA! Um santuário. Uma grande igreja. E uma praça enorme, até àquele pinheiro alto lá ao fundo, para as festas religiosas.
- Ehhhh que exagero! Até lá ao fundo? Nãããããoooo. Isso são uns 300 metros!
- E aqui, debaixo da oliveira onde apareces aos putos vestida de branco... será um local de peregrinação. Cheio de caixas grandes onde a populaça irá meter o dinheiro. E mediremos o dinheiro nas caixas com reguas do tamanho de um braço!
- Nahhhh! Você pague-me é a queca que me deve e deixe-se dessas conversas malucas.
- E o povo irá vir do Norte e do Sul, a pé, dias seguidos, para rezar no santuário.
- Oiça, estamos em 1917! Ao preço a que as carroças estão ninguém anda a pé!
- E venderemos velas. E com a cera derretida faremos velas outra vez para vender. Havemos de vender a mesma cera 10 vezes!
- Nem com a cera dos ouvidos do Papa.
- E tudo isto estará cheio de lojas de bugigangas, que pagarão renda ao santuário. E será o Santuário de Fátima, em tua honra.
- Olhe, chame-lhe o Santuário da Suzete Maria, que eu não gosto dessas coisas da religião. E estou farta de andar para aqui vestida de branco em cima de árvores a enganar putos. A Suzete Maria é que alinhava nisso. Vá bardamerda e pague-me o que me deve.

E o resto é história. A Suzete Maria mudou-se para Lisboa e o Padre pagou à Fátima e fez o santuário. A Fátima casou com o pastor, que deixou as ovelhas em paz. Pelo menos ao fim de semana.

PS: Este não é o quarto segredo da Fátima.

PS2: Continuamos à conquista desse nicho de mercado que são os padres tarados que vêm ao blog à procura de emoções fortes. Estamos certos de que o Padre Frederico já cá veio, mas perdemos-lhe o rasto...

PS3: Em breve, neste blog, Ascensão e queda de Cristo - a história de um político da antiguidade.

quarta-feira, 17 de setembro de 2003

La tarjeta de la identificação do hotel

Caros visitantes,

Escrevo-vos a partir de um hotel nos arredores da cidade do Porto onde fico alojado, com bastante regularidade, desde Novembro do ano passado. O hotel tem gerência espanhola.

Depois do check-in, cada hóspede recebe a chave e um cartão de identificação com várias informações escritas suportamente em três idiomas: português, castelhano e inglês. Eis o texto que surge associado ao idioma "português":

O hotel responde unicamente dos objectos depositados na caixa forte central.
O quarto deverá ficar livre antes do meio dia.
Pra estender a súa estância ten necesidade da autorização do hotel.
A presentação deste documento acredíta-le coma cliente do hotel e le permite cargar na conta o importe de qualquer serviço que utilize nele.


Que coños...

RRRTCHUUUUU

Escarreta Verde

EXCLUSIVO

Reportagem exclusiva no Quarto Segredo. Seguindo a manchete da edição de hoje do correio da manhã que relata o rapto do Rei dos 300, eis que as fontes de informação da Fátima conseguem mais alguns detalhes.

De acordo com as informações obtidas, o Rei dos 300 foi raptado devido a desacordos financeiros. Entre os presumíveis suspeitos, encontram-se o Rei dos 330 e o Imperador dos 300 + Brinde Surpresa. Até agora nada se sabe em concreto, mas julga-se que tudo se resume a um ajuste de contas.

Efectivamente, desde há uns tempos para cá que começaram a ser notórias as dificuldades financeiras do Rei dos 300, falhando por exemplo a conversão para o Euro (onde passaria a ser conhecido como o Rei do 1,5) e perdendo o monopólio de venda do kit de chaves inglesas + Relógio Decorativo.

As famílias reais mais próximas do Rei dos 300 já se fizeram ouvir:

Rei dos Frangos - "Pois, nós bem que o avisámos. A promoção dos jogos de capas de edredon era uma loucura. Bem sabemos que o preço era bom, mas vendê-los em Agosto não foi propriamente uma boa ideia. Mas fez bem em seguir o nosso conselho de vender pernas de mesas e asas de chávenas. Toda a gente sabe que pernas e asas é o que tem mais saída".
Rei das Farturas - "Um desgosto, é o que é. Tão bom rapaz. Até seguiu o conselho de aplicar a nossa promoção mais famosa, compre 10 e receba 1 grátis. Claro que a aplicou aos conjuntos de tampos de sanita, mas ainda assim não era razão para o descalabro que foi".
D. Duarte de Bragança - "Uma tristeza, uma tristeza. Eu até já tinha comentado com a Isabelinha que quando for Rei, a primeira coisa que faço é doar terras ao reino deste nobre senhor, dando-lhe o Centro Comercial Colombo para que faça dele o seu castelo".

A Fátima continuará atenta a este insólito caso, que representa a maior desgraça no seio monárquico desde que a princesa Stephanie do Mónaco resolveu ir viver para a caravana de um domador de elefantes do circo.